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,30/05/2026

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Estadão critica proposta de Renan Filho sobre fim da obrigatoriedade das autoescolas


Estadão critica proposta de Renan Filho sobre fim da obrigatoriedade das autoescolas Ministro dos Transporte, Renan Filho (MDB). Foto: Márcio Ferreira/Ministério dos Transportes

O Estadão publicou nesta semana um duro editorial contra a proposta do ministro dos Transportes, Renan Filho, que pretende acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motocicletas) e B (veículos de passeio). Segundo Renan, o objetivo seria “democratizar” o acesso à CNH, especialmente para os mais pobres.

Embora reconheça o excesso de burocracia no Brasil e a existência de uma “indústria da habilitação” marcada por altos custos e até corrupção, o Estadão classificou a proposta como "imprudente" e "demagógica", especialmente diante dos altos índices de mortalidade no trânsito brasileiro.

“Facilitar o acesso à carteira de habilitação sem exigir treinamento profissional prévio significa, na prática, aumentar significativamente a possibilidade de acidentes”, alerta o editorial.

Comparação com países desenvolvidos

Renan Filho citou que países como 'Inglaterra e Japão' dispensam as autoescolas obrigatórias. O jornal contesta o argumento, apontando que esses países registram cerca de "3 mortes no trânsito por 100 mil habitantes", enquanto o Brasil ultrapassa os "15 por 100 mil". A crítica destaca que o Brasil tem fiscalização "frouxa" e grande número de motoristas "sem habilitação" ou "despreparados", o que torna o cenário muito diferente.

Treinamento por "irmão mais velho"?

Outro ponto criticado foi a fala do ministro à "Folha de S.Paulo", em que sugere que o treinamento para tirar a CNH pode ser feito “pelo irmão mais velho”. O Estadão reagiu duramente, classificando a fala como "irresponsável", por incentivar que pessoas sem habilitação e sem estrutura adequada ensinem outros a dirigir — em veículos que não têm o duplo comando usado em carros de autoescola.

Divergência dentro do próprio governo

A reação negativa foi tão intensa que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, publicou nas redes sociais que a proposta “é do ministro Renan” e que “ainda será discutida dentro do governo”. Gleisi afirmou ainda que “dirigir exige muita responsabilidade” — sinalizando uma tentativa de distanciamento do governo federal da proposta.

Conclusão do Estadão

Para o Estadão, a iniciativa é uma tentativa populista de Renan Filho de agradar um eleitorado que trabalha por conta própria, como motoristas de aplicativo e motociclistas, mas que pode colocar vidas em risco. O editorial finaliza alertando que, se a proposta avançar sem o devido debate técnico, será uma “imensa irresponsabilidade” do governo federal.





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