Estadão critica proposta de Renan Filho sobre fim da obrigatoriedade das autoescolas
Ministro dos Transporte, Renan Filho (MDB). Foto: Márcio Ferreira/Ministério dos Transportes O Estadão publicou nesta semana um duro editorial contra a proposta do ministro dos Transportes, Renan Filho, que pretende acabar com a obrigatoriedade de aulas em autoescolas para obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) nas categorias A (motocicletas) e B (veículos de passeio). Segundo Renan, o objetivo seria “democratizar” o acesso à CNH, especialmente para os mais pobres.
Embora reconheça o excesso de burocracia no Brasil e a existência de uma “indústria da habilitação” marcada por altos custos e até corrupção, o Estadão classificou a proposta como "imprudente" e "demagógica", especialmente diante dos altos índices de mortalidade no trânsito brasileiro.
“Facilitar o acesso à carteira de habilitação sem exigir treinamento profissional prévio significa, na prática, aumentar significativamente a possibilidade de acidentes”, alerta o editorial.
Comparação com países desenvolvidos
Renan Filho citou que países como 'Inglaterra e Japão' dispensam as autoescolas obrigatórias. O jornal contesta o argumento, apontando que esses países registram cerca de "3 mortes no trânsito por 100 mil habitantes", enquanto o Brasil ultrapassa os "15 por 100 mil". A crítica destaca que o Brasil tem fiscalização "frouxa" e grande número de motoristas "sem habilitação" ou "despreparados", o que torna o cenário muito diferente.
Treinamento por "irmão mais velho"?
Outro ponto criticado foi a fala do ministro à "Folha de S.Paulo", em que sugere que o treinamento para tirar a CNH pode ser feito “pelo irmão mais velho”. O Estadão reagiu duramente, classificando a fala como "irresponsável", por incentivar que pessoas sem habilitação e sem estrutura adequada ensinem outros a dirigir — em veículos que não têm o duplo comando usado em carros de autoescola.
Divergência dentro do próprio governo
A reação negativa foi tão intensa que a presidente do PT, Gleisi Hoffmann, publicou nas redes sociais que a proposta “é do ministro Renan” e que “ainda será discutida dentro do governo”. Gleisi afirmou ainda que “dirigir exige muita responsabilidade” — sinalizando uma tentativa de distanciamento do governo federal da proposta.
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Conclusão do Estadão
Para o Estadão, a iniciativa é uma tentativa populista de Renan Filho de agradar um eleitorado que trabalha por conta própria, como motoristas de aplicativo e motociclistas, mas que pode colocar vidas em risco. O editorial finaliza alertando que, se a proposta avançar sem o devido debate técnico, será uma “imensa irresponsabilidade” do governo federal.


