CCJ da Câmara aprova parecer favorável à PEC do fim da escala 6x1
Durante o debate na CCJ, Reginaldo Lopes defendeu que os impactos da redução da jornada de trabalho serão positivos para todos os setores da economia
CCJ da Câmara arpova parecer pelo fim da escala 6x1. Foto: Reprodução A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira (22), o parecer do deputado Paulo Azi, do União da Bahia, favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que trata do fim da escala 6x1.

O relatório, apresentado na semana passada, analisou duas propostas que tramitam em conjunto: uma que acaba com a escala de trabalho 6x1, ou seja, seis dias de trabalho e um de descanso por semana, e outra que prevê a redução da carga semanal para 36 horas. As PECs são de autoria da deputada Erika Hilton, do PSOL de São Paulo, e do deputado Reginaldo Lopes, do PT de Minas Gerais, respectivamente.
Durante o debate na CCJ, Reginaldo Lopes defendeu que os impactos da redução da jornada de trabalho serão positivos para todos os setores da economia:
"Os impactos serão sentidos por todos os setores da sociedade, em especial para os trabalhadores e para as famílias dos trabalhadores. Mas será positivo para o empresário, para o empreendedor. Terá ganho de produtividade. Esta é a compensação: ganho de produtividade. O Brasil tem 500 mil trabalhadores por ano afastados para a seguridade social por estresse físico, emocional, mental."
Já o deputado Lucas Redecker, PSD do Rio Grande do Sul, um dos autores do pedido de vista que deu mais tempo para análise do parecer, afirmou que a PEC do fim da escala 6x1 não prevê compensação:
"A minha preocupação é de quem vai pagar esta conta, porque, se nós diminuirmos a escala de 6x1 para 5x2 e mantivermos o mesmo salário — que é esta a proposta, e eu acho que isso é muito bom para o trabalhador —, mas isso vai gerar um déficit para o empregador, que vai ter, lá na ponta da sua receita, uma diminuição prevista de mais ou menos 22% do seu valor agregado pelo custo do empregado. E sempre quando aumenta o valor, quem paga a conta é o consumidor final."
Já a deputada Sâmia Bonfim, do PSOL de São Paulo, destacou a relevância do tema e o engajamento social por melhores condições de trabalho. Ela lembrou que também tramita no Congresso, em regime de urgência, um projeto de lei enviado pelo governo federal com a mesma finalidade:
"Esse tema está avançando justamente porque há um grande constrangimento por parte dessas lideranças em se colocar contrário a um projeto de amplo apoio popular. E eu quero saudar e parabenizar o presidente Lula pela iniciativa de ter enviado um projeto de lei simples para que, em 45 dias — agora um prazo menor —, a Câmara possa, ou sim ou sim, votar e aprovar esse projeto com maioria simples."
Agora, o texto da PEC segue para uma comissão especial da Câmara, que será responsável por analisar o mérito da proposta, com a participação da sociedade e de setores envolvidos, antes da votação em plenário.


