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,05/09/2026

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Polícia Federal aponta que Cláudio Castro recebeu regalias para favorecer refinaria; ex-governador nega

Relatório com sigilo levantado pelo ministro Alexandre de Moraes serviu de base para o cumprimento de mandados de busca e apreensão.


Polícia Federal aponta que Cláudio Castro recebeu regalias para favorecer refinaria; ex-governador nega Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Um relatório da Polícia Federal apontou que o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, obteve vantagens indevidas em troca do direcionamento de órgãos estaduais para beneficiar a refinaria Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. O ex-gestor nega irregularidades.

As informações integram a segunda fase da Operação Sem Refino, deflagrada em 14 de agosto para apurar lavagem de dinheiro e fraudes em licenças ambientais. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, retirou o sigilo do documento e autorizou 16 mandados de busca e apreensão.

Segundo os investigadores, entre os benefícios repassados a Castro constam uma degustação de caviar no valor de R$ 10,5 mil, custeada por uma empresa investigada, e valores reduzidos no aluguel de uma cobertura na Barra da Tijuca.

A apuração indica também o uso de uma mansão em Petrópolis, na Região Serrana do Rio, onde teria sido encomendada uma adega personalizada de R$ 245 mil. A PF aponta que bens de luxo eram registrados em nome de terceiros para ocultação patrimonial e pagamento de despesas do ex-governador.

Em troca, Castro teria mantido contato com responsáveis por licenças ambientais para agilizar processos da refinaria e prejudicar concorrentes do empresário Ricardo Magro. Apontado como líder da organização, Magro teve a prisão preventiva decretada e consta na lista de difusão vermelha da Interpol.

A defesa de Cláudio Castro negou “qualquer participação em esquema de lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros”. Os advogados afirmaram que não há relação entre a Refit e os imóveis ou compras citados.

A equipe jurídica alegou que a residência na Barra possui contrato regular com pagamentos comprováveis e que o imóvel de Petrópolis era alugado. Quanto ao caviar, a defesa informou que o episódio ocorreu mais de 30 dias após Castro deixar o governo e que a encomenda pertencia a um amigo.

A nota da defesa acrescentou que os contatos com a refinaria foram institucionais, que viagens oficiais constam no Portal da Transparência e que solicitou ao STF autorização para que o ex-governador preste depoimento à Polícia Federal.

Confira a nota da defesa na íntegra:

“Não há qualquer ligação entre os episódios envolvendo a compra e os imóveis com a Refit. São situações distintas, sem relação com a empresa ou com eventual favorecimento.

Os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não resultaram em qualquer benefício. Durante sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa.

Também não é verdade que uma viagem do então governador a Nova York tenha sido custeada pela Refit. A viagem foi oficial, paga pelo Governo do Estado, com registros disponíveis no Portal da Transparência.

A defesa já requereu ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer todos os pontos da investigação e apresentar a documentação comprobatória. O pedido aguarda decisão.

Cláudio Castro reafirma que não praticou qualquer ato ilícito".




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