Polícia Federal aponta que chefes do Banco Central atuavam como "empregados" de Daniel Vorcaro
Investigação indica repasses de valores, revisão de documentos oficiais e avisos prévios sobre fiscalizações bancárias.
Foto: Reprodução/TV Lide Relatório da Polícia Federal aponta que dois integrantes da chefia de fiscalização do Banco Central atuavam em favor do banqueiro Daniel Vorcaro, chegando a agir como "empregados" do controlador do Banco Master. O documento de 164 páginas teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, após solicitação do presidente da Corte, Edson Fachin.
Entre os alvos da investigação estão Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária, e Paulo Sérgio Neves de Souza, chefe-adjunto da unidade. De acordo com a apuração, Belline recebia pagamentos mensais que chegaram a R$ 760 mil por meio de um contrato fictício com a empresa Varajo Consultores. Em mensagens interceptadas, o repasse do valor gerou a reação "Que circo" por parte de Vorcaro.
A corporação também identificou que o banqueiro organizou e custeou uma viagem de Belline e sua esposa para Paris, na França, em setembro de 2025. Além disso, o ex-chefe do setor criou um grupo no WhatsApp chamado "Master" para tratar de estratégias e revisar documentos de interesse da instituição financeira. Segundo a PF, "não parece regular que fiscalizado e fiscalizadores alinhem e compartilhem da mesma visão prospectiva e estratégica para o banco".
No caso de Paulo Sérgio Neves de Souza, os investigadores apontam que o servidor preparava o banqueiro para reuniões no próprio órgão e revisava textos do Banco Master antes do envio oficial. Em fevereiro de 2025, o servidor alertou Vorcaro que uma movimentação superior a R$ 1 bilhão havia caído nos filtros de monitoramento da autarquia. Em diálogo com um familiar, Vorcaro declarou que o servidor "tá sendo um anjo na vida".
Ambos os servidores foram afastados das funções por determinação do STF e cumprem medidas cautelares, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica. O próprio Banco Central comunicou as suspeitas à Polícia Federal após ouvir os funcionários administrativamente. Em depoimento, Paulo Sérgio e Belline negaram ter atuado para beneficiar o banqueiro, enquanto Daniel Vorcaro sustentou que os contatos faziam parte da rotina normal entre regulador e regulado.


