Flávio Bolsonaro acusa Polícia Federal de tentar interferir nas eleições ao investigá-lo no caso Dark Horse
Senador nega irregularidades em captação de recursos para filme, elogia André Mendonça e pede investigação contra Flávio Dino.
Foto: Reprodução/Youtube O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acusou a Polícia Federal de tentar criar um fato político e interferir no processo eleitoral ao investigá-lo no caso do filme "Dark Horse". A existência da apuração sobre o parlamentar veio à tona nesta sexta-feira (11), após a queda do sigilo de procedimentos ligados ao Banco Master.
A investigação foi aberta em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a pedido da Polícia Federal e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República. O procedimento apura suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas em verbas para a produção. Flávio Bolsonaro confirmou ter solicitado patrocínio ao empresário Daniel Vorcaro, que repassou R$ 61 milhões ao projeto, mas sustentou que sua atuação se restringiu à busca de investimentos privados, sem recebimento de vantagens pessoais ou oferta de contrapartidas.
Em agenda de campanha realizada em Manaus, o pré-candidato associou a divulgação do caso ao seu desempenho em pesquisas eleitorais recentes. Ao classificar a instituição como "Claramente a Polícia Federal do Lula", o senador questionou: "Por que agora, imediatamente após a gente ultrapassar rapidamente o Lula nas pesquisas, eles tentam criar um fato?". Apesar de ser investigado na ação relatada por Mendonça, o candidato elogiou a conduta do magistrado: "O André Mendonça está certo, gente. Ele está sendo juiz. É assim que eu queria que todos os Supremos fossem iguais ao André Mendonça, que não pesassem para lado nenhum. Investiga tudo, todo mundo, com transparência".
Ao rebater as suspeitas, Flávio afirmou que "É um patrocínio para um filme privado e foi isso. Eu fui atrás de vários investidores. Então, tudo que aparece vai ser mais do mesmo". Além disso, o senador defendeu a abertura de investigação contra o ministro Flávio Dino, acusando-o de tentativa de interferência eleitoral. O pedido refere-se a outro procedimento, a Operação Make Up, autorizada por Dino para apurar suposto desvio de emendas parlamentares na mesma produção cultural.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão contra alvos que incluem o deputado Mario Frias e a produtora Karina Gama, sem citar o senador entre os investigados dessa fase. Flávio Bolsonaro argumentou que documentos apreendidos indicam pressões sofridas pela produtora e declarou: "Estou pedindo que o Dino seja investigado formalmente nessa investigação para que ele pare de tomar decisões tentando interferir nas eleições". Enquanto o ministro André Mendonça conduz o inquérito sobre os recursos do Banco Master, a apuração referente às emendas segue sob relatoria de Flávio Dino.


