Abin alerta governo Lula e TSE sobre risco crítico de interferência dos EUA nas eleições
Documento confidencial da inteligência aponta pressão de Washington sobre o Brasil e tentativas de condicionar o pleito de 2026.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) e o presidente americano Donald Trump (Foto: Gage Skidmore/Flickr). Um relatório confidencial da Agência Brasileira de Inteligência classificou como crítico o risco de interferência e pressão dos Estados Unidos nas eleições de 2026. O documento foi encaminhado no fim de agosto à Presidência da República, ao Tribunal Superior Eleitoral e ao Ministério da Justiça.
Revelado pela coluna de Mônica Bergamo, do jornal Folha de S.Paulo, o diagnóstico aponta uma escalada de pressão e uma reconfiguração da atuação norte-americana no país. Conforme a análise do órgão, o movimento associa-se à política externa do segundo governo de Donald Trump para expandir a influência na América Latina e conter o avanço da China em setores estratégicos.
Dentre as iniciativas identificadas, a Casa Branca chegou a propor uma declaração conjunta exigindo que o governo brasileiro não impusesse restrições à participação de "dissidentes políticos" no pleito. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva rejeitou a proposta e tratou a minuta como "arquivo morto". Em diálogo com Trump, Lula afirmou que pedirá ao líder norte-americano para que "não se meta nas eleições do Brasil".
A inteligência brasileira também registrou o uso de sanções comerciais, diplomáticas e administrativas contra alvos no país. A ofensiva incluiu a classificação de facções criminosas nacionais como "organizações terroristas" e a aplicação de punições a pessoas e empresas acusadas de vínculos com o Primeiro Comando da Capital.
O documento destaca a posição central do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, na condução de críticas a Lula e de ações para enfraquecer governos menos alinhados a Washington. Segundo a Abin, o Brasil tornou-se alvo prioritário por sustentar maior autonomia política e econômica no cenário internacional.


