Campanha de Flávio Bolsonaro pede prisão de servidor da Secom por compartilhamento sobre Nossa Senhora
Defesa acusa George Marques de difundir desinformação eleitoral; Planalto classifica pedido de prisão como injusto e arbitrário
Em pronunciamento, à bancada, senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Geraldo Magela/Agência Senado A campanha do candidato a presidente Flávio Bolsonaro (PL) protocolou uma notícia-crime na Justiça Eleitoral contra o coordenador-geral de Estratégia e Informação da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), George Marques da Silva e Silva. A ação pede a prisão preventiva do servidor público sob a acusação de disseminar desinformação relacionada ao caso de Nossa Senhora Aparecida em seu perfil na rede social X (antigo Twitter).
Em resposta, o Palácio do Planalto afirmou que as acusações não procedem e classificou a solicitação de prisão como "injusto e arbitrário". A Secom declarou que o servidor se manifestou em caráter estritamente pessoal, fora do expediente e em equipamento próprio, repudiando o que considerou uma tentativa de censura promovida pelo candidato.
O documento da defesa sustenta que o funcionário repostou uma mensagem orientando usuários a ignorarem retratações sobre o tema e a manterem o compartilhamento do boato para atingir eleitores das regiões Norte e Nordeste. A publicação, realizada na manhã de sexta-feira, foi apagada posteriormente do perfil do servidor, que conta com 211,8 mil seguidores.
A petição lista outras postagens de George Marques para sustentar a tese de desinformação organizada. Os anexos citam suposta perseguição de Flávio Bolsonaro à Igreja Católica, relatos de mudança de voto, teses de vitória no primeiro turno com o eleitorado católico e a promessa de retirar o título de padroeira de Nossa Senhora Aparecida.
Para os advogados, a sequência de mensagens comprova atuação deliberada. Diante disso, a campanha declarou no processo: "quando a mentira atinge o Governo, a Secom desmente. Quando atinge o adversário, seu coordenador de estratégia não somente recomenda não propagar a retratação, mas incita os seus seguidores a compartilharem ainda mais a mentira".
Além da prisão preventiva em caráter liminar, os advogados de Flávio Bolsonaro solicitam a busca e apreensão de celulares e computadores do servidor, o afastamento cautelar do cargo e a proibição de acesso às redes sociais. A defesa aponta a suposta prática de crimes como divulgação de fatos inverídicos na campanha, incitação ao crime e associação criminosa.
A controvérsia teve origem em um boato veiculado na internet afirmando que o candidato retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do país. A informação falsa foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral e corrigida pelo canal GloboNews após transmissão em rede nacional.
A notícia-crime foi protocolada em regime de plantão na Promotoria de Justiça Eleitoral de Brasília. Caberá agora ao Ministério Público Eleitoral analisar o material para decidir se instaura investigação e se encaminha os pedidos de medidas cautelares ao Judiciário.


