TSE debate proibição de canais políticos de grande alcance no WhatsApp antes do 2º turno
Texto em elaboração pelo ministro André Mendonça prevê suspensão de transmissões em massa 48 horas antes da votação
Ministro André Mendonça é o responsável por redigir a proposta em análise na Justiça Eleitoral. / Foto: Leobark Rodrigues/Secom/TSE O Tribunal Superior Eleitoral estuda proibir o funcionamento de canais políticos de grande alcance no WhatsApp nas 48 horas anteriores ao segundo turno das eleições. A medida em análise pode suspender as transmissões em massa a partir da sexta-feira que antecede a votação, atingindo comunidades digitais com mais de 200 mil inscritos.
A elaboração da minuta de norma está sob a responsabilidade do vice-presidente da Corte, ministro André Mendonça. O magistrado destacou que “houve consenso entre todos os ministros” sobre a conveniência de regulamentar o tema, ressaltando que a proposta final “seria submetida à avaliação e à deliberação de todos”.
A iniciativa visa evitar a disseminação de desinformação na véspera do pleito eleitoral. De acordo com o gabinete do relator, “o objetivo discutido é proteger a integridade do pleito nas horas que antecedem e sucedem a votação, quando não há tempo hábil para resposta ou correção de conteúdos ilícitos”.
A regulamentação prevê aplicação uniforme a grupos de qualquer alinhamento ideológico ou partidário. A assessoria reforçou que “os critérios em análise são objetivos e impessoais e valem igualmente para todos os canais de natureza político-eleitoral de grande alcance, qualquer que seja o candidato, o partido ou a orientação política”.
Se for aprovada pelo plenário, a restrição afetará grandes perfis mantidos por articuladores políticos de diferentes vertentes. A norma atingiria espaços de grande audiência, como o canal “Exército do Lula”, gerenciado pelo deputado André Janones, e a “Tropa do Flávio”, administrada por aliados da oposição.
A discussão sobre o texto ocorreu em duas reuniões do colegiado em Brasília, uma na sexta e outra nessa terça-feira. Conforme informou o gabinete, a tarefa de redigir a proposta partiu de um entendimento conjunto entre os integrantes do tribunal, prevendo que “por tradição, cabe ao vice-presidente do Tribunal redigir os atos normativos que o colegiado vai apreciar”.


