Janja acusa Renan Santos de misoginia após declarações durante debate presidencial
Primeira-dama afirmou que candidato utilizou sua imagem para atacar Lula; Renan disse que fez uma crítica política a uma figura pública.
Primeira-dama afirmou que o debate político não deve servir para expor ou ridicularizar mulheres. Foto: Claudio Kbner/PR A troca de acusações entre a primeira-dama Janja e o candidato à Presidência Renan Santos (Missão) teve novo capítulo nesta segunda-feira (24), após declarações feitas pelo presidenciável durante o debate realizado no domingo (23).
Renan havia mencionado Janja ao comentar a ausência de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no encontro. Em uma das falas, afirmou que o presidente estava com "aquela Janja" e que encontraria "companhias melhores" se tivesse participado do debate. Em seguida, disse: "Ou está bêbado ou está com a Janja. Melhor ficar bêbado".
A primeira-dama reagiu por meio de uma nota enviada à Band e lida durante o Jornal da Band. Ela afirmou que os comentários foram pessoais e depreciativos e acusou Renan de utilizar a misoginia para atacar Lula.
Janja ressaltou que não é candidata e não estava presente no debate para responder às declarações. Segundo ela, a referência à sua relação com o presidente não poderia ser tratada apenas como uma crítica política.
"Insinuar que a companhia da esposa de outro presidenciável seria motivo de pena está longe de ser uma crítica política. É mais uma maneira de deslegitimar e ridicularizar a figura da mulher como ferramenta misógina para atacar um adversário político."
Na nota, a primeira-dama também afirmou que episódios desse tipo não deveriam ser normalizados e classificou a fala como um ataque pessoal contra uma mulher que não participava do debate e não tinha relação com o tema discutido.
Janja ainda citou uma declaração feita por Renan em 2017, relacionada ao estupro de uma amiga, como parte de sua manifestação. Ela afirmou que o episódio atual não seria isolado e apontou, em sua avaliação, um padrão de falas de desrespeito às mulheres.
Renan já havia sido questionado sobre o vídeo durante a campanha. Em entrevista recente, classificou a declaração como uma "piada infeliz", afirmou que se tratava de uma brincadeira e disse estar arrependido.
A primeira-dama também defendeu que debates eleitorais sejam utilizados para apresentação de propostas, confronto de ideias e discussão de projetos, e não para expor ou ridicularizar mulheres.
Renan rebate acusação
Depois da divulgação da manifestação de Janja, Renan publicou um vídeo em resposta. O candidato negou ter agido de forma misógina e afirmou que sua fala representou uma crítica política dirigida a uma figura pública.
"Não é misógino dizer que você não é uma boa companhia. Pare de ficar jogando tudo nessa história de misoginia."
Renan também afirmou que considerar uma crítica política a uma mulher como misoginia poderia restringir o debate público.
"Fazer uma crítica política a uma figura pública ser misoginia significa criminalizar todo o debate político que envolva mulheres."
O candidato ainda respondeu à referência feita por Janja ao vídeo de 2017 e declarou que, caso seja eleito, pessoas "como ela" poderão ser condenadas e presas.
Representação no Ministério Público Eleitoral
O episódio também chegou ao Ministério Público Eleitoral (MPE). Olímpio Rocha (PSOL), candidato ao governo da Paraíba, apresentou nesta segunda-feira uma representação solicitando a apuração das declarações de Renan.
O documento menciona possível injúria eleitoral e eventual violação ao artigo 243 do Código Eleitoral, que proíbe propaganda que deprecie a condição da mulher.
A representação, por si só, não significa que Renan tenha cometido as infrações apontadas. A análise do pedido e dos fatos relatados caberá às autoridades eleitorais.


