Sabatina JN: Renan Santos defende que o Brasil desenvolva armas nucleares para obter respeito global
Candidato do Missão propõe saída do Tratado de Não Proliferação e afirma que poder atômico garante dissuasão e influência.
Renan Santos na sabatina na Globo Foto: Manoella Mello/Globo O candidato à Presidência Renan Santos, do partido Missão, defendeu o desenvolvimento de armas nucleares pelo Brasil como forma de elevar a relevância internacional do país. A declaração foi feita nesta quarta-feira (26) durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo.
De acordo com o presidenciável, as principais potências mundiais contam com esse armamento para garantir influência global e poder de dissuasão. Ele ponderou, no entanto, que o Brasil não teria condições de desenvolver tal tecnologia no período de dez anos.
"As nações mais poderosas do mundo dispõem de armas nucleares. E elas se fazem respeitadas por causa disso", afirmou Renan Santos. O candidato ressaltou que o Brasil precisa debater a possibilidade se quiser figurar entre as maiores potências.
Ao ser questionado se a proposta demandaria a retirada do Brasil do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), o candidato confirmou a necessidade. Segundo ele, a saída ocorreria "necessariamente, e no momento certo".
O Brasil é signatário do TNP, pacto internacional que estabelece compromissos para impedir a disseminação de armas atômicas para países não reconhecidos como potências nucleares à época da assinatura do acordo.
Para sustentar seu argumento de dissuasão, Renan citou a Coreia do Norte, que se retirou do acordo em 2003 para desenvolver seu arsenal. Ele comparou o caso à situação da Venezuela, que sofreu intervenção dos Estados Unidos em janeiro deste ano.
"Pelo menos a Coreia do Norte, por mais que seja um regime que eu considero opressivo e que eu não respeite, pelo menos ele é respeitado internacionalmente de maneira que a Venezuela não foi", declarou.
Atualmente, a Constituição Federal exige que toda atividade atômica em território nacional tenha fins pacíficos, sob aprovação do Congresso. O país também integra o Tratado de Tlatelolco, que veda a fabricação e a posse desse armamento na América Latina e Caribe. Assim, o desenvolvimento de armas nucleares demandaria profundas alterações jurídicas e diplomáticas na posição brasileira.


