Após revelação de mensagens de Moraes, Alcolumbre aponta 109 pedidos de impeachment no Senado
Presidente da Casa evitou comentar diálogos atribuídos ao ministro do STF e ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, enquanto oposição intensifica ofensiva pelo afastamento.
Mesa: presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP). Foto: Carlos Moura/Agência Senado A divulgação de conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, registradas pela Polícia Federal, desencadeou uma forte mobilização parlamentar e levou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a se pronunciar sobre a quantidade de processos contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ao ser questionado sobre o teor do relatório, Alcolumbre evitou emitir juízo de valor. "Eu não achei nada, não devo achar nada", declarou. O parlamentar preferiu enfatizar que a Casa acumula atualmente 109 requerimentos de impeachment direcionados aos dez ministros da Corte. "A minha percepção é que tem 109 pedidos, isso não é normal. São 109 solicitações no Congresso, dos dez ministros do Supremo, de pedido de impeachment de ministro do Supremo Tribunal Federal", pontuou.
No plenário do Senado, ao menos nove parlamentares discursaram a favor do afastamento ou da renúncia do magistrado. O senador Carlos Viana (PSD-MG) oficializou uma nova denúncia por crime de responsabilidade, enquanto a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) defendeu travar as votações até que o ministro deixe o cargo. Já Flávio Bolsonaro (PL-RJ) cobrou que Alcolumbre coloque imediatamente a pauta em deliberação.
A reação também alcançou a Câmara dos Deputados, onde o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) anunciou que acionará o STF pedindo investigação, prisão preventiva e o afastamento cautelar de Moraes. Pelas regras constitucionais, cabe exclusivamente ao Senado analisar e julgar ministros do Supremo por crime de responsabilidade, sendo que nenhuma solicitação desse tipo foi aprovada até hoje.
O estopim para a cobrança política foram dados extraídos do celular do ex-proprietário do Banco Master. O relatório policial indica registros de conversas e encontros com um contato salvo como Alexandre de Moraes durante as apurações sobre a instituição financeira. O material inclui menções para contatar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet, mas os documentos divulgados não comprovam o atendimento a esses pedidos.


