Marco Aurélio Mello declara arrependimento por ter apoiado indicação de Alexandre de Moraes ao STF
Ministro aposentado criticou atuação do magistrado e defendeu conduta de André Mendonça na análise de relatório da Polícia Federal.
Marco Aurélio se arrepende de apoiar Moraes e defende atuação de Mendonça. (Foto: Nelson Junior/STF) O ministro aposentado do Supremo Tribunal Federal (STF), Marco Aurélio Mello, afirmou em entrevista à CNN neste sábado (5) que se arrepende de ter apoiado a indicação do ministro Alexandre de Moraes para a Corte. A declaração foi feita após tornarem-se públicas trocas de mensagens entre Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do extinto Banco Master.
Durante a entrevista, Marco Aurélio Mello classificou os fatos revelados como "seríssimos" e avaliou que o magistrado "vem errando a mão". O ex-ministro relembrou que, na época da morte do ministro Teori Zavascki, apontou o então ministro da Justiça do governo Temer como um nome qualificado para a vaga, mas afirmou que "se arrependimento matasse", não estaria ali conversando.
Mello também saiu em defesa do ministro André Mendonça, que retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal e encaminhou a documentação à Procuradoria-Geral da República (PGR). O aposentado criticou a postura de Moraes — que acusou Mendonça de atuar fora do regimento jurídico — e classificou a situação como uma "inversão de valores", sustentando que o relator procedeu como deveria.
O documento elaborado pela Polícia Federal detalha encontros entre Vorcaro e Moraes entre fevereiro de 2024 e agosto de 2025. Conforme o levantamento, o contato inicial ocorreu em 2023 por intermédio de Fábio Faria, ex-ministro das Comunicações da gestão Jair Bolsonaro, que forneceu o telefone de Moraes ao ex-banqueiro.
Segundo os dados analisados, Moraes e Vorcaro participaram de um jantar em 2 de fevereiro de 2024, acompanhados de suas esposas, além de manterem novos encontros em novembro do mesmo ano. Em registros de março e abril de 2025, Vorcaro mencionou à esposa, a um diretor do Banco Central e a terceiros ter estado com o magistrado.
Alexandre de Moraes ainda não se manifestou oficialmente sobre as citações. Em parecer, a PGR pediu a anulação do relatório da Polícia Federal. O procurador-geral Paulo Gonet, também citado no documento, sustentou que a investigação não poderia ter avançado sem a provocação do Ministério Público, questionando ainda os procedimentos aplicados a autoridades com foro no Supremo.


