Polícia Federal conclui que Daniel Vorcaro teve acesso a informações sigilosas antes de operação contra o Banco Master
Relatório enviado ao STF detalha anotações sobre investigadores, identificação do juiz do caso e mudanças na agenda do empresário na véspera de sua prisão.
Foto: Reprodução A Polícia Federal concluiu que o banqueiro Daniel Vorcaro teve conhecimento antecipado das investigações sigilosas que resultaram em sua prisão na Operação Compliance Zero. Documentos enviados ao Supremo Tribunal Federal indicam que o empresário reuniu nomes de investigadores, identificou o magistrado responsável pelo caso e alterou a agenda de viagens antes do cumprimento dos mandados.
Em manifestação encaminhada ao STF, a delegada responsável apontou a gravidade do vazamento de dados sigilosos. "Já foram consolidados indícios veementes de que o investigado, Daniel Bueno Vorcaro, soube de maneira antecipada e antes da deflagração não apenas o fato de existir investigação criminal em curso, mas também a vara, o nome do juiz que conduzia o feito, bem como o nome de diversos membros da equipe de investigação", afirmou a investigadora.
Segundo os relatórios da corporação, o monitoramento no celular de Vorcaro registrou anotações com nomes de policiais federais quase um mês antes da operação. O banqueiro escreveu no aparelho que recebia informações de pessoas de dentro do Banco Central. Dois dias antes da ação policial, foi localizada em seu telefone a identificação do juiz Ricardo Soares Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, autoridade responsável pelo inquérito.
Na véspera da operação, Vorcaro mudou a agenda de compromissos, organizou um voo saindo do Aeroporto de Congonhas e solicitou a antecipação de uma reunião com diretores do Banco Central. A Polícia Federal ressaltou no documento que a tentativa de viagem ao exterior visava evitar a ação policial. "Além da gravidade da situação descrita anteriormente, que corrobora a intenção de fugir do principal investigado nos autos", declarou a delegada. O empresário acabou preso no Aeroporto de Guarulhos antes de embarcar em um jato particular.
Durante as buscas na sede do Banco Master, a Polícia Federal apreendeu um quadro com esquemas de fluxos financeiros elaborado na noite anterior à prisão, contendo referências à sigla do empresário e a uma empresa nas Ilhas Cayman. Os investigadores apontam a existência de uma estrutura articulada em quatro frentes para proteger o banqueiro, envolvendo influência em órgãos públicos, obtenção irregular de dados, coerção de opositores e atuação em redes sociais.
As informações vieram a público após o ministro André Mendonça retirar o sigilo de procedimentos vinculados ao caso Master, atendendo a uma solicitação do presidente da Corte, ministro Edson Fachin. Os documentos serviram de base para um novo pedido de prisão preventiva contra o empresário, acolhido pelo STF em etapa desdobrada das investigações. O processo segue em análise no plenário do tribunal em meio a discussões sobre a condução dos inquéritos.


