Governo Federal planeja distribuição gratuita de canetas emagrecedoras pelo SUS para tratar obesidade
Anúncio foi feito pelo presidente Lula durante evento em Minas Gerais; Ministério da Saúde realiza estudo piloto com 250 pacientes e exige acompanhamento médico.
O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante Podcast Desce a Letra Show, no Palácio da Alvorada, Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou a intenção de incorporar a distribuição gratuita de canetas emagrecedoras no Sistema Único de Saúde (SUS). A declaração ocorreu durante uma visita ao complexo industrial da Eurofarma, em Minas Gerais. O benefício será voltado a pacientes diagnosticados com obesidade que enfrentam dificuldades para perder peso.
Durante o evento, o chefe do Executivo ressaltou que a medicação deve ser prescrita obrigatoriamente por profissionais de saúde. "Essa canetinha vai ser utilizada para cuidar de graça das pessoas que tenham obesidade. Quando um médico detectar que um homem ou mulher tem problema de se curar [...] os médicos também têm que contribuir. Daqui a pouco vai ter deputado jogando caneta para o povo. É uma irresponsabilidade, a pessoa que tem que saber se vai fazer bem para a saúde", declarou Lula.
A medida faz parte de uma pesquisa oficial coordenada pelo Ministério da Saúde em parceria com o Hospitalar Conceição, em Porto Alegre. O estudo, chamado Real-Bari, acompanha 250 pacientes do SUS com obesidade grave ou comorbidades para avaliar o uso da semaglutida. A inclusão definitiva do remédio na rede pública depende dos resultados desse levantamento e da fixação de um protocolo clínico.
De acordo com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o governo abriu um edital para atrair fabricantes interessados em produzir o insumo no país, aproveitando o fim da patente do fármaco em 2026. “Assim que a OMS divulgou esse relatório, o Ministério da Saúde e a Anvisa chamaram empresas nacionais e internacionais, lançaram um edital e perguntaram quem teria condições de produzir, aqui no Brasil, a caneta emagrecedora à base de semaglutida, cuja patente expirava neste ano de 2026. Tivemos uma resposta muito boa”, afirmou Padilha.
Atualmente, o Brasil possui 14 produtos registrados para o tratamento da obesidade. Além de combater o excesso de peso, o Ministério da Saúde investiga se o composto pode trazer benefícios para pacientes cardíacos e mulheres com histórico de câncer de mama. O ministro ressaltou que a distribuição não ocorrerá como um "milagre estético", mas de forma responsável.
As canetas de semaglutida são remédios injetáveis desenvolvidos originalmente para o tratamento de diabetes tipo 2. Elas atuam no cérebro reduzindo o apetite e controlando os níveis de glicose no sangue. Em pronunciamentos anteriores, Lula já havia defendido que o tratamento farmacológico deve ser aliado à prática regular de exercícios físicos.


