Flávio Bolsonaro acusa ministros de blindar Moraes no STF e promete novas indicações se for eleito
Durante agenda de campanha em Fortaleza, candidato à Presidência associou julgamento suspenso na Corte à disputa eleitoral.
Senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Carlos Moura/Agência Senado O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que magistrados indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva atuaram no Supremo Tribunal Federal para proteger o ministro Alexandre de Moraes. A declaração foi dada durante agenda de campanha em Fortaleza, no Ceará, após o encerramento de uma sessão da Corte.
Durante a atividade política na capital cearense, o parlamentar associou a composição futura do Judiciário ao resultado da corrida eleitoral de 2026. Flávio Bolsonaro sustentou que, caso seja vitorioso na disputa presidencial, pretende nomear cinco novos integrantes para o tribunal.
Ao detalhar sua proposta para a Corte, o candidato declarou: "O único caminho para o Brasil viver é a eleição do Flávio Bolsonaro, que vai indicar mais cinco ministros do Supremo, que vão dar serviço à Constituição, e não a Lula". Ele defendeu ainda a escolha de nomes conservadores, posicionados contra o aborto e as drogas.
O posicionamento do senador ocorreu após o ministro Flávio Dino pedir vista em um processo referente a uma possível investigação sobre Moraes por suposta relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o postulante ao Planalto, a atitude de Dino teve como objetivo interromper o avanço da apuração.
Sobre a atuação no plenário, o candidato afirmou: "Hoje é um dia de esperança para o povo brasileiro. O Alexandre de Moraes será investigado pelos crimes que em tese ele cometeu. Só não aconteceu hoje porque a tropa de choque do Lula no Supremo entrou em campo, em especial o Flávio Dino, ex-ministro da injustiça de Lula, que pediu vista depois que ele já tinha lançado o próprio voto dele".
A discussão no STF envolvia a Petição 16.662, composta por dados produzidos pela Polícia Federal em relação a Alexandre de Moraes. O debate foi paralisado sem avaliação do mérito após a apresentação de uma questão de ordem para analisar o caso em conjunto com outro processo sobre a atuação do ministro André Mendonça.
Antes da interrupção provocada pelo pedido de vista, que concede prazo de até 90 dias para a retomada do tema, o placar parcial registrava quatro votos contra três pela tramitação separada das ações. Os ministros Edson Fachin, André Mendonça, Luiz Fux e Cármen Lúcia votaram pela manutenção dos processos divididos, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Alexandre de Moraes defenderam a junção dos casos.
Antes de discursar em um comício no período da noite, Flávio Bolsonaro esteve com aliados na capital cearense e acompanhou a sessão do STF. Na mesma cidade, o candidato ao governo do Ceará Ciro Gomes (PSDB), apoiado pelo PL local, optou por não se encontrar com o presidenciável para evitar a nacionalização do pleito estadual.


