Gilmar Mendes defende Paulo Gonet e volta a chamar André Mendonça de "pixuleco eleitoral"
Decano do STF acusou o colega de buscar dividendos políticos no caso Master e comparou a conduta aos métodos da Operação Lava Jato.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, voltou a criticar o colega André Mendonça nesta quinta-feira (17). Em publicação na rede social X, o decano declarou solidariedade ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, e acusou Mendonça de atuar com objetivos político-eleitorais.
Na postagem, Gilmar utilizou os termos "boneco de campanha" e "pixuleco eleitoral" ao criticar a retirada do sigilo de um relatório da Polícia Federal no caso Master. Segundo o ministro, a divulgação das conversas expôs a reputação do chefe da Procuradoria-Geral da República sem apresentar indícios de conduta ilícita.
Gilmar sustentou que a retratação posterior no plenário do tribunal não repara o desgaste gerado na opinião pública. "Ninguém desfaz manchete com reparo tardio em plenário", escreveu o decano.
O ministro declarou ainda que "a intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular". Na mesma publicação, comparou o procedimento adotado ao método aplicado na Operação Lava Jato por Sergio Moro e Deltan Dallagnol. De acordo com Gilmar, a liberação de dados sigilosos próximo ao 7 de Setembro buscou produzir efeitos políticos e inflar manifestações.
A manifestação nas redes sociais desdobra os embates ocorridos durante a sessão extraordinária do STF na última terça-feira (15). Na ocasião, o decano já havia utilizado a expressão "pixuleco eleitoral", em alusão a um boneco inflável de Mendonça levado por apoiadores a atos públicos.
Durante a sessão no plenário, Mendonça defendeu a liberação das informações argumentando que atuou por "dever de ofício". O debate escalou quando Gilmar classificou a atitude como "desfaçatez", ouvindo de Mendonça a cobrança: "A desfaçatez de Vossa Excelência, me respeite".
Diante do acirramento entre os ministros, Flávio Dino pediu vista do processo e afirmou que os termos da discussão "degradam a imagem do Tribunal". Com a interrupção, a análise da questão de ordem sobre o caso Master foi suspensa sem deliberação sobre o mérito das petições.
Ainda na sessão de terça-feira, Paulo Gonet negou qualquer relação de proximidade com o empresário Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master. O procurador-geral explicou que esteve com o empresário em apenas um encontro formal com diversas autoridades em abril de 2024 e manteve uma ligação telefônica intermediada por advogado, a qual classificou como "brevíssima e banal".


