Avaliação negativa do STF chega a 47% e bate recorde da série histórica, aponta Datafolha
Reprovação ao trabalho dos ministros cresce sete pontos percentuais em meio às repercussões do caso Banco Master e reflete divisão política do eleitorado.
Fachada do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal na Praça dos Três Poderes. Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil O trabalho dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) é avaliado como ruim ou péssimo por 47% dos brasileiros, segundo pesquisa do Datafolha contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo. O resultado representa o maior patamar de rejeição à Corte desde o início da série histórica do instituto em 2019, registrando uma alta de sete pontos percentuais em relação aos levantamentos anteriores.
O levantamento apurou a percepção geral da população sobre a atuação dos magistrados do STF. A reprovação lidera os índices, seguida pela classificação regular e pela avaliação positiva.
Confira os dados da avaliação geral do STF:
- 47% avaliam como ruim ou péssimo
- 31% consideram o trabalho regular
- 18% classificam a atuação como ótima ou boa
- 4% não souberam responder ou não opinaram
A alteração na imagem do Tribunal ocorre paralelamente às repercussões das investigações envolvendo o caso Banco Master e revelações sobre trocas de mensagens com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A pesquisa consultou o eleitorado sobre o nível de conhecimento acerca dessas suspeitas e o possível envolvimento de integrantes da Corte.
Veja os números sobre o conhecimento e a percepção do caso Banco Master:
- 77% declaram ter conhecimento das suspeitas envolvendo a Corte e o Banco Master
- 68% dos que conhecem o caso acreditam no envolvimento de ministros do STF
- 25% dos que conhecem o caso não veem envolvimento de magistrados
- 7% dos que conhecem o caso não souberam responder
A percepção sobre o trabalho do STF revela uma divisão acentuada quando analisada pelo perfil de preferência política dos entrevistados. A rejeição à Corte é predominantemente mais expressiva entre apoiadores do senador Flávio Bolsonaro (PL) do que entre simpatizantes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Entre os eleitores de Flávio Bolsonaro, 69% consideram a atuação do STF ruim ou péssima, enquanto 6% avaliam o trabalho como ótimo ou bom. Já entre os apoiadores de Luiz Inácio Lula da Silva, 32% classificam o desempenho da Corte como ótimo ou bom e 24% avaliam a atuação como ruim ou péssima.
O levantamento também mediu em que medida a crise institucional e as denúncias relacionadas ao STF e ao Banco Master podem influenciar a decisão dos eleitores nas urnas.
Confira os dados sobre o impacto na decisão de voto:
- 49% afirmam que a crise não deverá interferir na escolha do voto
- 47% declaram que o episódio terá algum peso na decisão
- 36% apontam que o caso terá muita influência na escolha
- 11% acreditam que o evento terá pouca influência na decisão
A declaração de que o caso terá grande impacto na escolha eleitoral varia significativamente dependendo do alinhamento político e ideológico do eleitor.
Veja a fatia de eleitores de cada grupo que aponta grande influência do caso na decisão de voto:
- 45% entre os eleitores de Flávio Bolsonaro
- 43% entre os eleitores sem identificação com o petismo ou bolsonarismo
- 26% entre os eleitores de Luiz Inácio Lula da Silva
Paralelamente à medição sobre o Judiciário, o Datafolha avaliou o trabalho do Congresso Nacional. A reprovação a deputados e senadores permaneceu estável em comparação com o levantamento de maio.
Confira os dados da avaliação do Congresso Nacional:
- 40% consideram a atuação regular
- 37% avaliam o trabalho como ruim ou péssimo
- 18% classificam o desempenho como ótimo ou bom
- 6% não souberam responder
No recorte político sobre o Poder Legislativo, 44% dos eleitores de Flávio Bolsonaro reprovam a atuação do Congresso e 15% a aprovam. Já entre os eleitores de Lula, 32% avaliam o trabalho parlamentar como ruim ou péssimo e 22% o consideram ótimo ou bom.
Em termos de confiança institucional, pesquisa do mesmo instituto apontou que 48% dos entrevistados declaram não confiar no Supremo Tribunal Federal e 45% não confiam no Congresso Nacional.
O levantamento ouviu 2.002 eleitores entre os dias 22 e 23 de setembro em todo o país, apresentando margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. A pesquisa foi contratada pela Folha de S.Paulo e pela TV Globo, estando registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o protocolo BR-00304/2026.


