Após medida provisória que proíbe bets, governo derruba 506 sites não autorizados
Ação entre Ministério da Justiça e Ministério da Fazenda fiscaliza redes sociais e identifica canais clandestinos após edição de medida provisória.
Força-tarefa do governo federal atua no bloqueio de plataformas e anúncios de apostas ilegais no ambiente digital. Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil A fiscalização do governo federal sobre apostas digitais bloqueou 506 sites irregulares e mapeou 43 canais no Telegram que somam 212,6 mil membros. A força-tarefa entre o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) e o Ministério da Fazenda rastreou ofertas com promessas de "260% de lucro mensal", venda de "robôs" de palpites e margens de acerto de "até 99,8%". Os dados das contas suspeitas foram encaminhados no domingo (27) às autoridades competentes para apuração.
Paralelamente, o Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) do MJSP identificou propagandas ativas no Google, TikTok e plataformas da Meta, oferecendo incentivos como "convide amigos e ganhe R$ 888,00" e "Ganhe R$ 50,00 grátis". No Google, os técnicos localizaram 1,9 mil anúncios de apostas. O órgão cobrou providências das empresas de tecnologia para conter a veiculação de links dissimulados e páginas com nomes falsos.
As intervenções federais ocorrem após a publicação da medida provisória que proíbe as bets no país, editada na sexta-feira (25). O texto prevê um prazo de dez dias para a remoção de publicidades já em circulação, proibindo expressamente o lançamento de novas peças. Segundo nota do MJSP, "o trabalho busca interromper o acesso a plataformas que operem sem autorização e impedir que novos endereços sejam usados para oferecer apostas ao público brasileiro".
Na Meta, das sete campanhas identificadas pelo monitoramento, duas começaram a ser veiculadas já durante a vigência da nova regra. O documento do ministério pede a notificação da empresa para derrubada imediata dos conteúdos que iniciaram após a MP. De acordo com o Ciberlab, "alguns anúncios utilizavam nomes de páginas diferentes das marcas exibidas e links cujo domínio também não correspondia à marca anunciada", sinalizando dissimulação do anunciante.
Em paralelo ao monitoramento estatal, dados da plataforma Bet Legal indicam a proliferação de 440 novos sites de apostas sem registro no país desde a proibição. Diante desse cenário, a força-tarefa mantém vigilância contínua para evitar o contorno da legislação por meio de redes sociais ou domínios hospedados no exterior. A pasta reforçou que "a atuação integrada busca impedir que a retirada formal das bets seja contornada pela migração das atividades para redes sociais, aplicativos, grupos fechados, canais clandestinos ou plataformas hospedadas fora do país".


