Flávio Bolsonaro justifica desistência de debate na Globo e acusa Judiciário de censura
Senador criticou vetos à exibição de púlpito vazio e a perguntas para candidatos ausentes antes de emissora suspender o confronto
O senador Flávio Bolsonaro durante pronunciamento sobre o cancelamento do debate eleitoral. / Foto: Reprodução/YouTube/TV Celular Flavio Bolsonaro O senador Flávio Bolsonaro (PL) justificou sua desistência de participar do debate da TV Globo ao afirmar que decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF) instauraram censura no processo eleitoral. O parlamentar anunciou que não compareceria ao evento momentos antes do horário previsto para a transmissão.
Em pronunciamento feito nas redes sociais, o candidato declarou que estava preparado para seguir até os estúdios da emissora no Rio de Janeiro. Segundo ele, as determinações judiciais emitidas às vésperas do programa inviabilizaram a realização de um confronto em condições limpas.
Flávio Bolsonaro criticou especificamente a liminar que impediu a exibição do púlpito reservado ao candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que já havia confirmado ausência. O senador classificou a medida como "a proibição de se mostrar o púlpito do candidato ausente Lula, o futuro ex-presidente do Brasil, uma decisão obrigando a Globo a retirar o púlpito de lá. E pior do que isso, determinando que os candidatos presentes não pudessem fazer perguntas ao Lula.".
O parlamentar sustentou que as restrições impostas pela Justiça Eleitoral impediram os demais concorrentes de direcionar questionamentos ao postulante petista. Ele definiu o conjunto de decisões como "censura no seu mais alto grau, transparente e sem vergonha que vocês já viram nos últimos tempos".
Diante do cenário, o candidato do PL afirmou que a emissora tomou a decisão de suspender a transmissão. Conforme declarou o senador, "em função de todas essas interferências, a Rede Globo resolveu cancelar o debate".
A TV Globo oficializou o cancelamento do programa por volta das 20h39, alegando insegurança jurídica. A direção da empresa pontuou que as decisões de última hora alteraram o regulamento previamente assinado e acerto firmado entre as campanhas.
As mudanças regulatórias começaram com a liminar da ministra Estela Aranha, do TSE, que atendeu a um pedido da coligação do PT. A magistrada proibiu a exposição da cadeira vazia e vetou perguntas destinadas a candidatos ausentes, argumentando perigo de dano ao eleitorado a poucos dias do pleito.
Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, do STF, atendeu a um recurso do partido Solidariedade e determinou a inclusão de Renan Santos (Missão) no programa. A ordem contrariou deliberações anteriores do próprio STF e do TSE, que haviam indeferido a participação do postulante.
Dias antes, o presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, havia modificado o entendimento sobre a representação parlamentar exigida para o evento. Essa alteração garantiu a presença do candidato Romeu Zema (Novo) no confronto.
Outros postulantes que já estavam nos estúdios da emissora, como Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema, também manifestaram indignação e acusaram as Cortes de interferência. Por sua vez, Luiz Inácio Lula da Silva cumpriu agenda em um podcast e declarou que não compareceu ao evento por considerar que os debates não produzem nada relevante.


