Lula aponta envolvimento de ministros do STF no caso Banco Master e defende nova reforma do Poder Judiciário
Petista mencionou que acusações atingem múltiplos magistrados da Corte, relatou reuniões com Daniel Vorcaro no Planalto e cobrou apurações de Fachin.
O presidente Lula durante entrevista ao Jornal Nacional, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro (RJ). / Foto: Ricardo Stuckert. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou nesta quinta-feira (15) em entrevista à TV Globo que as acusações ligadas ao Banco Master atingem múltiplos integrantes do Supremo Tribunal Federal. O chefe do Executivo afirmou que a situação não se restringe a um único magistrado e defendeu que as investigações não fiquem concentradas em apenas um integrante da Corte, citando nominalmente os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, André Mendonça e Kassio Nunes Marques.
"Não é só o Alexandre de Moraes que tá implicado com o Vorcaro. O Toffoli também tá implicado, o André Mendonça também tá implicado e o Kassio também. Agora tá todo mundo implicado. Não posso interferir.", declarou Lula, cobrando a apuração ampla para que "não fique pedra sobre pedra e que se puna quem precisar punir".
Durante a entrevista, o petista comentou o pedido de vista apresentado pelo ministro Flávio Dino, que interrompeu a análise de apurações sobre Moraes no tribunal. Lula explicou que a medida buscou reunir as denúncias de todos os magistrados em um único julgamento, admitindo não ter avaliação técnica sobre o ato. "Eu não tenho nenhum conhecimento jurídico para saber se o Flávio Dino estava certo ou não de pedir vista", declarou o presidente, acrescentando que "não tem como imaginar que a sociedade vai aceitar que se coloque um tapete em cima disso e se esqueça o que aconteceu".
Diante do desgaste na Corte, o presidente defendeu a realização de uma nova Reforma do Judiciário para alterar regras do tribunal. A proposta contempla o debate sobre mandatos fixos para ministros, restrições a escritórios de advocacia ligados a magistrados e novos critérios de indicação. O petista informou que conversou com o presidente do STF, Edson Fachin, cobrando apurações internas. "Ninguém está acima da lei, nem os ministros da Suprema Corte", destacou Lula.
As suspeitas no Judiciário ocorrem em meio aos desdobramentos de encontros mantidos entre o governo federal e o fundador do Banco Master, Daniel Vorcaro. As reuniões ocorreram em dezembro de 2024 no Palácio do Planalto e, posteriormente, em Minas Gerais. Nos encontros, o empresário sustentou que enfrentava perseguição política no mercado financeiro. "Ele foi me procurar, como todos que estão com problema vão me procurar", relatou o presidente.
Lula informou ter respondido ao banqueiro que os fatos configuravam investigação técnica, e não perseguição política. O presidente também aconselhou Vorcaro a não vender a instituição financeira para o BTG. O empresário manteve o controle da instituição na ocasião, mas as apurações avançaram.
Meses após as conversas presenciais, a instituição financeira teve suas atividades interrompidas pela autoridade monetária. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master após constatar uma fraude de R$ 12 bilhões. A medida encerrou o funcionamento do banco e desdobrou a crise no cenário político e jurídico.


