Flávio Bolsonaro apresenta plano fiscal com imóveis da União e confirma manutenção do fim da escala 6x1 se for eleito
Candidato propõe criação de fundo de gestão para arrecadar R$ 200 bilhões, defende reajuste do salário mínimo acima da inflação e nega intenção de privatizar estatais.
O senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro durante entrevista concedida à TV Globo. / Foto: Reprodução/ YouTube/ g1 O candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que manterá a extinção da jornada de trabalho 6x1 e apresentou uma proposta de ajuste fiscal baseada na criação de um fundo de gestão com imóveis públicos desocupados da União. As declarações foram dadas em entrevista transmitida pela TV Globo.
O senador, que antes criticava a proposta como "oportunista", votou a favor da medida aprovada no Senado e assegurou a permanência da mudança caso vença a eleição. Para justificar a alteração de posicionamento, o parlamentar afirmou ter ouvido demandas populares durante agendas pelo país. Ao abordar o tema, ele declarou: "Como ouvi que a grande maioria dos trabalhadores estavam favoráveis ao fim da escala 6 X 1, resolvi seguir a vontade da maioria dos trabalhadores brasileiros".
Além do modelo de descanso, o postulante defendeu a introdução de maior flexibilidade na contratação por horas de trabalho e assumiu o compromisso de combater eventuais perdas econômicas para os assalariados. Ele complementou a visão sobre o assunto afirmando: "Então, eu vou ser um presidente da República que, além de respeitar e garantir essa folga a mais para os trabalhadores, vai fazer de tudo também para devolver o poder de compra do povo brasileiro".
No campo fiscal, Flávio apresentou propostas para arrecadar cerca de R$ 200 bilhões sem mexer em despesas obrigatórias ou na Previdência, segundo ele. A medida apoia-se na centralização de mais de 30 mil propriedades federais não utilizadas, cujo patrimônio é estimado por ele em R$ 1,7 trilhão.
Ao explicar como pretende transformar os edifícios em recursos financeiros, o parlamentar defendeu a criação de uma estrutura de investimento. Ele declarou: "A gente vai pegar esse imóvel, vai colocar num fundo de gestão". Na sequência, complementou que "isso pode ser colocado num fundo, pode ser securitizado" para permitir a captação de verbas adicionais.
O plano econômico do candidato projeta outras fontes complementares de receita, como a securitização de parte dos quase R$ 3 trilhões em dívidas que a União tem a receber, o que renderia R$ 200 bilhões por ano, segundo ele. Ele prevê também a extinção de ao menos 10 ministérios e o uso de inteligência artificial no combate a desvios.
Outra aposta são os royalties do petróleo na Margem Equatorial, que poderiam gerar mais de R$ 100 bilhões, de acordo com as estimativas dele. No entanto, a Petrobras prevê que a produção de óleo na região não deve começar antes de 2033, enquanto um eventual mandato presidencial terminaria em 2030.
Somam-se a isso incertezas sobre o próprio potencial da área. Ainda não se conhece a dimensão real das reservas de petróleo na região, nem se há viabilidade comercial nos poucos reservatórios mapeados até o momento.
Em relação às garantias sociais, o postulante assegurou que preservará os reajustes do salário mínimo com ganho real acima da inflação e a vinculação do piso às aposentadorias. Quando questionado diretamente sobre a manutenção do modelo de valorização salarial, respondeu objetivamente: "Sim".
Por fim, o parlamentar combateu alegações da campanha adversária de que realizaria o desmonte de serviços públicos ou privatizações de empresas estatais como Banco do Brasil, Caixa e Petrobras. Ele classificou as acusações de desinformação do Partido dos Trabalhadores ao declarar: "Meu concorrente está promovendo um verdadeiro terrorismo em cima de servidores públicos, em cima de estatais, dizendo que eu acabaria com as aposentadorias, que eu acabaria com servidores públicos, que eu privatizaria Banco do Brasil, Caixa, Petrobras". Ele concluiu afirmando que "o maior ajuste fiscal que o Brasil pode fazer é tirar o Lula".


