Bolsonaro solicita autorização ao STF para receber senadores Rogério Marinho e Tereza Cristina em Brasília
Pedido apresentado ao ministro Alexandre de Moraes ocorre no contexto da articulação da direita pela presidência do Senado Federal
Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorização para que o político receba visitas em sua residência, onde cumpre prisão domiciliar. O pedido contempla os senadores Rogério Marinho (PL-RN) e Tereza Cristina (PP-MS), ambos ex-ministros de seu governo.
Na petição encaminhada ao relator, os advogados de Jair Bolsonaro solicitaram que as entradas ocorram em datas estabelecidas pelo STF, dando preferência às terças, quartas ou quintas-feiras. A solicitação formal pontua que as reuniões devem ocorrer "observadas as condições de ingresso, fiscalização e segurança vigentes". Uma solicitação anterior focada na visita individual de Rogério Marinho já havia sido apresentada em 29 de outubro, sem análise conclusiva até o momento.
A iniciativa jurídica ocorre no momento em que a oposição articula nomes para a disputa pela presidência do Senado Federal, marcada para o início de 2027. O movimento ganhou força um dia após o Partido Liberal (PL) oficializar a pré-candidatura de Rogério Marinho, enquanto a senadora Tereza Cristina, líder do PP na Casa, também mantém sua disposição de concorrer.
Ao avaliar a conjuntura política na terça-feira (3) a senadora Tereza Cristina ressaltou o alinhamento de seu grupo político, declarando: "Rogério Marinho e eu conversamos muito sobre esse assunto, até por sermos do mesmo campo. A minha candidatura está mantida e a dele também. Vamos ver mais para frente. Temos pouco menos de 90 dias para isso. E eu quero ser a primeira mulher presidente do Senado". Por sua vez, o senador Rogério Marinho indicou a busca por consenso ao afirmar que "continuamos a conversar. Estamos [discutindo] um acordo entre nós, mas não seremos candidatos um contra o outro".
Entre as estratégias estudadas pelos parlamentares oposicionistas está um acordo de rodízio, no qual um dos nomes disputaria o comando da Casa no próximo ano e o outro pleitearia o cargo em 2029. Rogério Marinho já concorreu à presidência do Senado em 2023, ocasião em que foi derrotado pelo senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG).
A disputa eleitoral no Congresso Nacional inclui ainda a candidatura à reeleição do atual presidente da Casa, senador Davi Alcolumbre (União-AP), apoiado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Como mecanismo de pressão sobre o eleitorado parlamentar, o Partido Liberal defende a adoção de voto aberto no pleito, contrariando a tradição de votação secreta no Senado Federal.
O cenário político de articulação da oposição sofreu alterações recentes com a saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do país, ocorrida após o resultado da eleição presidencial. Marinho atuava como coordenador da campanha do parlamentar fluminense e contava com o apoio direto da família Bolsonaro para impulsionar sua candidatura à liderança do Poder Legislativo.


