PT pede cassação de Flávio Bolsonaro no Conselho de Ética por caso Dark Horse
Partido pede perda de mandato por quebra de decoro e aponta divergências sobre repasses de ex-banqueiro.
Foto: Reprodução A revelação de um repasse de US$ 1,6 milhão em setembro de 2025 levou o PT a protocolar uma representação no Conselho de Ética do Senado contra o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O partido solicita a cassação do mandato por quebra de decoro parlamentar devido a divergências sobre o financiamento do filme Dark Horse.
O novo valor transferido veio a público após o parlamentar declarar que os aportes do ex-banqueiro Daniel Vorcaro haviam sido encerrados em maio de 2025, totalizando US$ 10,6 milhões. Com a nova quantia, os recursos conhecidos de Vorcaro chegaram a US$ 12,3 milhões, inseridos em uma negociação global estimada em US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões).
Questionado sobre a transferência recente, Flávio Bolsonaro encaminhou as explicações à produtora responsável pela obra sobre Jair Bolsonaro. O senador sustenta que a captação foi exclusivamente privada, sem verbas públicas ou recursos da Lei Rouanet, e nega ter recebido benefícios pessoais ou oferecido contrapartidas a Vorcaro.
A representação é assinada pelo líder da bancada, senador Camilo Santana (PT-CE), que apontou incompatibilidade entre as declarações públicas do parlamentar e os dados financeiros. "O Senado Federal não pode ignorar fatos dessa gravidade. Quem ocupa um mandato concedido pelo povo tem o dever de agir com verdade, responsabilidade e respeito às instituições", afirmou Santana.
O pedido chega a um colegiado que não realiza deliberações desde julho de 2024 e não tem encontros previstos. A iniciativa faz parte da ofensiva governista no caso, que defende a derrubada do sigilo das investigações e cobra apurações sobre o ministro André Mendonça, do STF, embora o PT descarte apoiar um pedido de impeachment contra o magistrado.
Leia a nota oficial assinada pelo líder do PT no Senado, Camilo Santana:
"O Partido dos Trabalhadores protocolou, nesta quarta-feira (2), representação no Conselho de Ética do Senado Federal contra o senador Flávio Bolsonaro, diante das graves contradições envolvendo sua relação com Daniel Vorcaro e o financiamento milionário do filme Dark Horse.
Não estamos diante de uma divergência política ou de um episódio menor. As informações reveladas pela imprensa confrontam diretamente as versões apresentadas pelo senador. Negativas públicas foram desmentidas por mensagens, áudios e registros financeiros. Promessas de transparência deram lugar ao silêncio e à recusa em apresentar documentos essenciais.
O Senado Federal não pode ignorar fatos dessa gravidade. Quem ocupa um mandato concedido pelo povo tem o dever de agir com verdade, responsabilidade e respeito às instituições. A imunidade parlamentar protege a liberdade de expressão e o exercício do mandato, mas não pode servir de escudo para enganar a sociedade.
A representação assegura ao senador Flávio Bolsonaro o pleno direito de defesa. Mas também exige que o Conselho de Ética cumpra seu papel, apure os fatos com independência e dê ao país uma resposta à altura da responsabilidade desta Casa.
A confiança da população no Parlamento depende da coragem de suas instituições para investigar e responsabilizar seus próprios integrantes. O silêncio, diante de tantas contradições, significaria aceitar que a mentira seja tratada como prática normal da vida pública. O Senado deve respeito ao povo brasileiro. E a verdade não pode ser negociada.
Senador Camilo Santana
Líder do PT no Senado Federal"


