Ministro André Mendonça anuncia saída do Instituto Iter após questionamentos sobre contratos
Magistrado abriu mão de cotas sem compensação financeira e instituição passará a atuar como entidade sem fins lucrativos.
O ministro André Mendonça durante sessão plenária do STF . Foto: Gustavo Moreno/STF O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deixará a sociedade do Instituto Iter, centro de ensino jurídico e aperfeiçoamento pessoal fundado por ele. A decisão foi tomada em meio a questionamentos sobre contratos firmados pela instituição com a iniciativa pública nos últimos anos, e a entidade será transformada em uma organização sem fins lucrativos.
Em nota pública, o magistrado informou que cedeu a totalidade das cotas suas e de sua esposa sem qualquer contrapartida financeira, mantendo os recursos destinados a fins sociais e educacionais. Mendonça ressaltou que “jamais auferiu lucro do instituto” e que continuará prestando serviços à instituição como professor, em alinhamento com o presidente da entidade, Victor Godoy.
Os questionamentos sobre os contratos do instituto intensificaram-se após o ministro solicitar o envio ao plenário da Corte de um relatório da Polícia Federal. O documento em questão aponta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A movimentação é mais um capítulo do embate entre Mendonça e Moraes, cenário no qual informações contra o fundador do instituto passaram a ser vazadas desde a retirada do sigilo do relatório policial.
Para evitar que a tensão institucional comprometa a imagem do Judiciário, o presidente do STF, Edson Fachin, passou a atuar na contenção dos ânimos. O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, também solicitou aos integrantes do tribunal uma solução interna para conter a crise e evitar impactos no processo eleitoral deste ano.


