PF rastreia R$ 750 mil de emendas de Mario Frias até produtora de filme sobre Bolsonaro
Investigação apura movimentações de quase R$ 1,4 milhão e levou o ministro Flávio Dino a proibir o deputado de deixar o país.
Deputado Mario Frias (PL - SP). Mario Agra / Câmara dos Deputados O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a cumprir mandados de busca e apreensão contra 53 pessoas físicas e jurídicas ligadas ao deputado federal Mário Frias. A apuração verifica se verbas de emendas parlamentares destinadas pelo deputado foram desviadas para a produtora do filme Dark Horse, do qual o parlamentar é produtor-executivo.
Por determinação da Justiça, Frias e outros 28 investigados estão proibidos de deixar o país e tiveram que entregar seus passaportes às autoridades. O magistrado também vetou qualquer tipo de comunicação entre os envolvidos para impedir a combinação de depoimentos ou a destruição de provas.
O foco das atenções está em repasses que somam quase R$ 1,4 milhão direcionados à produtora Go Up Entertainment. A empresa é responsável pelo longa-metragem sobre Jair Bolsonaro e tem como sócia a empresária Karina Gama, que também preside o Instituto Conhecer Brasil.
De acordo com as investigações, o instituto recebeu R$ 1 milhão de emenda do parlamentar para o projeto Jovem Empreendedor. Desse montante, a entidade repassou R$ 700 mil para duas empresas. Na sequência, a firma NTT Brasil, pertencente ao mesmo grupo empresarial, enviou R$ 750 mil para a produtora do filme.
A Polícia Federal identificou que a movimentação pode indicar a "possível ocorrência de restituição de valores similares" aos investigados. Além das transferências empresariais, o próprio deputado realizou repasses diretos de R$ 645,4 mil para a Go Up em menos de 60 dias. Os investigadores ressaltaram a necessidade de comprovar o lastro financeiro, já que o salário mensal do parlamentar era de aproximadamente R$ 44 mil.
Auditorias da Controladoria-Geral da União apontaram "fortes" indícios de direcionamento e fraude em cotações de preços na aplicação das emendas. Orçamentos para compra de livros foram gerados no mesmo dia e pela mesma usuária em um intervalo de 13 minutos, além de materiais entregues 465 dias após o prazo contratual.
A decisão judicial, emitida em 3 de setembro, foi tornada pública após a execução das buscas. O processo foi encaminhado para a Procuradoria-Geral da República para a continuidade dos procedimentos legais.


