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,23/09/2026

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Campanha de Flávio Bolsonaro pede ao TSE proibição do uso eleitoral de discurso de Lula na ONU

Ação alega uso de estrutura pública para promoção pessoal e cita decisão do tribunal que vetou prática semelhante em 2022.


Campanha de Flávio Bolsonaro pede ao TSE proibição do uso eleitoral de discurso de Lula na ONU Presidente Lula discursa durante a abertura da Assembleia Geral das Nações Unidas, em Nova York. Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação

A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) e de seu candidato a vice, Alfredo Gaspar (PL), protocolou uma representação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O pedido busca proibir a utilização de imagens ou trechos do pronunciamento de Lula na Assembleia Geral da ONU em materiais de propaganda eleitoral. A ação foi encaminhada ao gabinete do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, com pedido de decisão liminar.

Na petição, os advogados solicitam a proibição da veiculação do conteúdo em qualquer meio de propaganda, a substituição de peças eventualmente produzidas e a fixação de multa de R$ 50 mil por publicação em caso de descumprimento. A equipe jurídica sustenta que a intervenção imediata da Justiça Eleitoral é necessária para evitar a proliferação de cortes eleitorais.

Os advogados da chapa acusam o presidente de converter um evento oficial em palanque político para promoção pessoal. Segundo a peça assinada pela advogada Maria Claudia Bucchianeri e sua equipe, "A fala de Lula era de um candidato. Não de um chefe de Estado. A ONU, no entanto, não é palanque". O documento afirma ainda que "O ilícito reiterado e não coibido ultrapassou as fronteiras nacionais, chegando ao uso do discurso na ONU para fins eleitorais".

A representação aponta que Lula abordou temas frequentes em seus atos eleitorais, como o fim da escala 6x1, apostas virtuais, Pix, terras raras, soberania nacional e o risco de interferência externa no pleito. O documento cita também trechos de autopromoção em que o petista se descreveu como um operário eleito três vezes, que combateu a ditadura e retirou o país do Mapa da Fome.

Para fundamentar o pedido de tratamento isonômico, a campanha de Flávio Bolsonaro citou uma decisão do próprio TSE nas eleições de 2022. Na ocasião, a Corte atendeu a uma representação do PT e impediu que o então candidato à reeleição Jair Bolsonaro utilizasse imagens de seu discurso na ONU em sua propaganda eleitoral. A peça destaca ainda que mais de 15 representações semelhantes foram apresentadas nos últimos cinco meses sobre o suposto uso da estrutura estatal.

No encerramento do pronunciamento em Nova York, Lula tratou diretamente do pleito de outubro. O presidente afirmou: "No dia 4 de outubro, milhões de brasileiras e brasileiros vão às urnas para definir o seu destino. Não vão apenas eleger o presidente da República, governadores estaduais e representantes do Poder Legislativo. Vão decidir entre democracia e negacionismo. Se o Brasil vai avançar rumo a um futuro de mais oportunidades ou regressar a um passado de exclusão".

Sem citar nominalmente adversários, Lula declarou que "alguns abusam dessa liberdade para se associar a interesses estrangeiros contrários ao país". O petista acrescentou que o processo eleitoral será transparente e concluiu: "Sob o olhar atento de uma cidadania plural e de uma imprensa livre, não permitiremos que os inimigos da democracia, internos e externos, atentem contra a vontade popular".




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