Coligação de Lula pede ao TSE inelegibilidade de Flávio e Eduardo Bolsonaro por suposto apoio dos EUA
Ação investiga possível financiamento estrangeiro e articulação diplomática paralela na campanha presidencial.
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, em registros de suas respectivas agendas em Brasília - DF. Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado (esq) e Ricardo Stuckert (dir). A coligação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva protocolou uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral no Tribunal Superior Eleitoral para apurar um eventual financiamento estrangeiro na campanha do senador Flávio Bolsonaro. O processo pede a cassação do registro ou do diploma da chapa e a inelegibilidade de Flávio e de seu irmão, o deputado Eduardo Bolsonaro, pelo prazo de oito anos.
A petição possui 117 páginas e foi distribuída ao ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral substituto da Justiça Eleitoral. Além dos irmãos Bolsonaro, a ação atinge o candidato a vice-presidente na chapa do PL, deputado Alfredo Gaspar. Os advogados apontam a ocorrência de abuso de poder político, econômico e uso indevido dos meios de comunicação.
O pedido fundamenta-se na suspeita de aportes de recursos, bens ou serviços prestados pela organização norte-americana Rockbridge Network, cofundada pelo vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance. A representação cita a atuação de Pedro Sang no comitê de Flávio em São Paulo, onde teria auxiliado no contato com fornecedores e na infraestrutura local. A petição destaca que, embora Sang tenha declarado desconhecer repasses da entidade, a manifestação não esclarece quem custeou seus serviços.
Outro ponto questionado pela coligação envolve reuniões de Flávio e Eduardo com autoridades norte-americanas, como Donald Trump e o secretário de Estado Marco Rubio, fora dos canais diplomáticos oficiais. A acusação sustenta que sanções, cancelamentos de vistos e tarifas aplicados pelos Estados Unidos teriam sido buscados para desgastar o governo federal e favorecer o candidato do PL. A peça pondera que tais atos estatais não são atribuídos diretamente aos investigados, focando a apuração no acesso e na tentativa de uso eleitoral de pressões externas.
Para instruir o processo, a campanha petista solicitou a oitiva do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, do candidato Renan Santos e do empresário Tallis Gomes. Também foram requeridas informações oficiais ao Itamaraty, à Polícia Federal, à Câmara dos Deputados e ao Senado sobre despesas e viagens dos parlamentares. A coligação pediu ainda a entrega de comprovantes de gastos pelo PL e a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, caso surjam indícios após as diligências.
A preocupação do Palácio do Planalto com reflexos da política externa dos Estados Unidos sobre o pleito brasileiro é acompanhada desde janeiro. O monitoramento começou após a captura de Nicolás Maduro na Venezuela e envolveu a observação de disputas eleitorais em países como Argentina, Honduras, Peru e Colômbia. O governo federal avalia que pronunciamentos da oposição, como o discurso de Flávio na CPAC pedindo pressão diplomática, buscaram internacionalizar a disputa política nacional.


