Lula descarta limite de cartões por pessoa e defende veto a envio sem solicitação
Presidente esclarece posição sobre o setor bancário, critica cobrança de juros e direciona foco para proibir envio não solicitado por instituições financeiras.
O presidente Lula durante entrevista ao Flow Podcast, no Palácio da Alvorada, em Brasília (DF). Foto: Ricardo Stuckert. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que os consumidores têm o direito de possuir a quantidade de cartões de crédito que desejarem. O posicionamento busca esclarecer declarações anteriores e redirecionar o foco das propostas do governo para a proibição do envio de cartões sem pedido prévio dos clientes, além do combate às taxas elevadas.
Em publicação na rede social X, o chefe do Executivo enfatizou a liberdade de escolha da população e criticou a postura de opositores políticos. "Ontem falei da preocupação com o cartão de crédito, pois os juros são indecentes. Hoje meus adversários acordam para defender os bilionários donos de operadoras desses cartões", afirmou Lula.
Na mesma mensagem, o presidente destacou a relevância do financiamento para a população antes de fixar os limites de atuação das instituições financeiras. "Claro que sei da importância do crédito para a vida das famílias. Cada cidadão tem o direito de ter quantos cartões de crédito quiser", declarou.
Ao detalhar a medida que pretende implementar com o Banco Central, Lula centralizou as críticas na entrega compulsória de limites e na cobrança de tarifas. "O que não aceito é que bancos enviem para a casa das pessoas sem que elas tenham solicitado. Vamos acabar com essa prática e com os juros abusivos no Brasil", acrescentou.
O esclarecimento ocorreu após participação do presidente no Flow Podcast, na noite de quinta-feira, quando mencionou que o governo estudava restringir o fornecimento a apenas um cartão por pessoa. Na entrevista, Lula argumentou que "o povo gasta com mais facilidade o cartão de crédito" e ressaltou que o consumidor "só vai ver o rombo no final".
Para ilustrar o impacto do endividamento, o chefe do Executivo relatou no programa ter conhecido o pai de um garoto autista que acumulou R$ 80 mil em débitos após receber quatro cartões. Na ocasião, Lula classificou os juros cobrados no setor como um "crime" e defendeu a necessidade de "moralizar" a concessão de crédito no país.


