Lula projeta 2º turno como prorrogação e aposta em confronto direto: "Sou muito bom no mata-mata"
Presidente afirma que nova campanha servirá para comparar biografias e propostas, prevê foco em abstencionistas e estabelece prioridades para educação, saúde e economia.
O presidente Lula durante pronunciamento após o 1º turno das eleições, São Paulo - SP. Foto: Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que a disputa presidencial avançou para uma nova etapa e classificou a disputa de segundo turno como uma "prorrogação". Ao avaliar o resultado da primeira votação, o petista demonstrou confiança para o confronto direto e destacou seu desempenho nesse formato de disputa. "Eu sou muito bom no mata-mata, no tete-a-tete. E nós vamos ver quais são os projetos que o país tem", afirmou o candidato à reeleição.
Conforme os dados consolidados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o pleito foi definido para a segunda fase com 100% das seções apuradas. Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira etapa na liderança, somando 47,03% das preferências, o que corresponde a 56.104.503 votos. Lula (PT) alcançou o segundo lugar com 45,16% dos sufrágios, registrando um total de 53.879.538 votos.
Diante do cenário das urnas, Lula disse ter ficado convencido anteriormente de que venceria no primeiro turno, mas recordou ter enfrentado a etapa decisiva em disputas passadas contra Geraldo Alckmin e José Serra. O presidente informou que tirará a segunda-feira (5) para descanso e retomará a agenda de rua na terça-feira (6). "A partir de amanhã, a gente começa uma nova campanha", declarou Lula, definindo o período como a oportunidade para "mostrar a verdadeira fotografia do Brasil de hoje e o Brasil que a gente quer".
Durante a fala, o candidato ressaltou os 12 anos de experiência de seu governo em inclusão social e os 16 anos de Alckmin à frente do estado de São Paulo, apontando incertezas na trajetória do adversário. A estratégia do petista prevê ainda uma mobilização ao lado de seu vice para convencer eleitores abstencionistas a comparecerem às urnas no dia 25 de outubro. Ao projetar o trabalho de convencimento junto aos que não votaram, o presidente declarou: "O jogo vai começar".
No campo das propostas administrativas, o presidente colocou os investimentos em educação como prioridade máxima para um eventual novo mandato. O plano contempla o fortalecimento de universidades, institutos federais, pesquisa científica e desenvolvimento tecnológico. As metas incluem também a universalização do programa Pé-de-Meia e a expansão de unidades escolares de tempo integral.
Para a economia, a diretriz estabelecida é a continuidade do estímulo à indústria nacional em áreas estratégicas. Entre as frentes mencionadas pelo Executivo estão a produção interna de medicamentos e a exploração de terras raras e minerais críticos. O projeto abrange ainda o aproveitamento de jazidas de petróleo na margem equatorial brasileira.
Na saúde, a plataforma prevê a ampliação do atendimento público por meio do fortalecimento do SUS e do programa Farmácia Popular. O plano engloba a elevação da capacidade nacional de fabricação de remédios para suprir a rede pública. Além disso, o presidente citou a intenção de ofertar medicamentos injetáveis para emagrecimento aos pacientes com indicação médica.
Ao tratar da condução das contas públicas, Lula resgatou os indicadores econômicos de seus governos anteriores para garantir que combinará responsabilidade fiscal e proteção social. O petista assegurou que o controle de despesas não afetará a população de menor renda ao definir o compromisso orçamentário. "Não haverá política de corte fiscal capaz de prejudicar as pessoas pobres desse país", afirmou o presidente.


