Em reunião com Fachin, coordenador de Flávio Bolsonaro nega vingança e cobra atuação do Senado sobre o STF
Senador Rogério Marinho apontou interferência do Judiciário nas eleições, cobrou neutralidade institucional e descartou omissão em eventuais crimes de responsabilidade.
Senador Rogério Marinho (PL-RN) durante entrevista. Foto: Ton Molina/Agência Senado O coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência, senador Rogério Marinho (PL-RN), afirmou que não haverá tom de vingança contra o Supremo Tribunal Federal em caso de vitória no segundo turno das eleições. Em reunião realizada em Brasília com o presidente do STF, ministro Edson Fachin, o parlamentar ressaltou que o Senado não atuará com omissão diante de eventuais apurações de crimes de responsabilidade. Sobre a postura da oposição em relação aos magistrados, ele declarou que "não haverá vingança dos bolsonaristas contra os ministros, mas também não haverá omissão".
Ao detalhar a posição da bancada, o parlamentar cobrou uma postura mais rígida do Poder Legislativo diante de condutas de membros da Corte Suprema. Ele avaliou que a Casa legislativa não pode se abster do seu papel de fiscalização constitucional. O coordenador reforçou esse posicionamento ao pontuar que "na hora em que houver algum crime de responsabilidade por um ministro do Supremo Tribunal Federal, o Senado não vai se omitir" e acrescentou que "hoje ele tem se omitido".
Durante o encontro, Marinho formalizou críticas ao comportamento de integrantes do tribunal, apontando interferência continuada na justiça eleitoral. O senador citou diretamente os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes como responsáveis por ações com viés político. Classificando a situação institucional do país, ele afirmou que "é extremamente claro o aparelhamento do Estado".
O representante da campanha bolsonarista defendeu a restauração da harmonia e da divisão formal de atribuições entre as instituições públicas. Ele argumentou que a população não deve visualizar o sistema judiciário como aliado de determinados grupos políticos. Para embasar a cobrança por independência, Marinho disse que "nós queremos reconstruir o país, queremos normalizar a relação entre os Poderes, queremos que a separação seja de fato" e completou que "não é possível que a sociedade tenha a percepção de que o Judiciário é a extensão do modelo que faz mal à democracia brasileira".
Sobre o contato com os magistrados citados, o senador informou que pretende buscar diálogo somente após a conclusão da disputa eleitoral. No mesmo pronunciamento, Marinho classificou como desproporcional a pena de Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom, que teve progressão para o regime semiaberto concedida por Alexandre de Moraes. Avaliando a conduta dos juízes no período recente, o parlamentar destacou que "vejo que o Alexandre de Moraes e o Flávio Dino têm se comportado nos últimos tempos claramente com viés político. Eu acho que política é para os políticos".
A audiência ocorreu dois dias após o encerramento do primeiro turno das eleições de 2026, no qual Flávio Bolsonaro finalizou à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Na mesma data, a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT), também esteve com Edson Fachin em reunião convocada pelo próprio presidente do tribunal para tratar de pautas legislativas do Palácio do Planalto, como a PEC da Segurança e a jornada de trabalho 6x1.
Diante do clima de tensão e das movimentações políticas no Congresso, Fachin aproveitou uma agenda pública para enviar um recado sobre a estabilidade do Judiciário. Ao discursar na abertura de um evento sobre os 38 anos da Constituição na sede do STF, o ministro reafirmou o caráter permanente da instituição declarando que "conjunturas se alternam, gerações se sucedem, os desafios mudam de roupagem" e concluiu ressaltando que "o tribunal é maior do que tudo e do que todos, e ele permanecerá".


