Lula cobra posicionamento do PL e de Flávio Bolsonaro sobre votação da escala 6x1 no Senado
Presidente afirmou que a votação no Plenário vai mostrar quem apoia o descanso do trabalhador e acusou oposição de tentar atrapalhar a proposta
Presidente Lula durante fala com a imprensa, na Casa de campanha, em Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou publicamente, nesta terça-feira (6), um posicionamento do Partido Liberal e do senador Flávio Bolsonaro em relação ao projeto que encerra a jornada de trabalho 6x1 no Senado Federal. Em fala concedida em Brasília, o chefe do Executivo declarou que o momento de apreciação da matéria servirá para expor a postura dos parlamentares diante da pauta. "Na hora que o Senado começar a votar, a máscara vai começar a cair", afirmou o presidente.
Lula afirmou que o senador Flávio Bolsonaro terá de orientar a bancada de seu partido durante a deliberação sobre a alteração dos dias trabalhados. Segundo o presidente, a votação indicará quais congressistas defendem a ampliação do descanso das famílias brasileiras e quais preferem manter a rotina atual. "A gente vai ver quem efetivamente quer que o povo tenha uma vida mais digna, que descanse mais, que possa cuidar mais da família, ou se vai estabelecer essa jornada em que as pessoas só têm um dia para descansar", declarou.
Além da cobrança por votos favoráveis, o governo acusou parlamentares da oposição de atuar nos bastidores para adiar ou impedir a análise do texto na Casa Alta. O presidente reforçou que os senadores precisarão registrar seus posicionamentos de forma transparente no sistema do painel eletrônico. "Quem mentiu até agora, quem não falou a verdade, quem brincou de falar a verdade, agora chegou o dia D", disse Lula. "Pelo que eu fui informado, eles estão tentando atrapalhar a votação", completou.
O presidente manifestou expectativa de que a matéria avance no Plenário do Senado acompanhando o andamento prévio na Câmara dos Deputados e com condução do presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Ele enfatizou que a postura do PL na votação sinalizará o compromisso real da legenda com os trabalhadores. "Estou confiante que o PL vai demonstrar se tem coragem ou não de votar a favor do fim dessa escala", afirmou.
A Proposta de Emenda à Constituição estabelece o limite máximo da jornada semanal em 40 horas, sem redução salarial, garantindo ao menos dois dias de descanso remunerado por semana. O texto prevê teto diário de 8 horas de trabalho e possibilita a compensação de jornada por meio de acordos ou convenções coletivas. "É preciso dar civilidade ao mundo do trabalho e, sobretudo, a jornada de trabalho para criar condições da família poder viver mais tranquila", defendeu o presidente.
O projeto em tramitação é a PEC 221/2019, apresentada originalmente pelo deputado federal Reginaldo Lopes e relatada na Comissão de Constituição e Justiça pelo senador Omar Aziz. O relatório aprovado na comissão rejeitou todas as 36 emendas para evitar que o texto precisasse retornar à Câmara dos Deputados. As sessões de debates no Plenário foram agendadas entre esta terça-feira e quinta-feira, antecedendo as duas rodadas formais de votação.
A fala do presidente ocorreu na presença de aliados políticos durante pronunciamento à imprensa, no início das atividades voltadas para a disputa do segundo turno das eleições.


