Ciro Gomes contesta resultado no Ceará, diz que foi "roubado" e acusa STF de favorecer petista
Tucano nega vitória a Elmano de Freitas, acusa ministro Dias Toffoli por inserções na reta final e aciona equipe jurídica contra apuração do primeiro turno.
Foto: Kleyton Amorim/UOL/Folhapress O ex-governador Ciro Gomes (PSDB) autorizou a equipe jurídica da campanha a contestar judicialmente o resultado da eleição para o Governo do Ceará. O candidato derrotado no primeiro turno recusou-se a reconhecer a vitória do governador reeleito Elmano de Freitas (PT) e afirmou que não cumprimentará o adversário. A posição foi oficializada em manifesto divulgado após a apuração, no qual declarou: "Já ganhei e perdi eleições, nunca repudiei o resultado das urnas, mas meu sentimento, pela primeira vez na vida, é de que fomos roubados."
A contestação tem como ponto central uma decisão do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal, que permitiu a exibição de mais de 900 comerciais de rádio e televisão da chapa petista na sexta-feira e no sábado anteriores à votação. Ciro argumenta que a liberação das peças de propaganda fora do período regular do horário gratuito desequilibrou a disputa na reta final. Sobre a atuação do magistrado, o tucano afirmou: "Toffoli, ex-advogado do PT e ministro do STF nomeado por Lula, fora da condição de membro do TSE, foi o responsável pela fraude final contra nós. Ele autorizou mais de 900 comerciais de Elmano com Lula e seus senadores durante a sexta e o sábado quando a lei, muito clara, veda a propaganda nestes dois dias que antecedem ao pleito. Quantos cearenses aderiram ao PT por causa desta inédita bateria de propaganda? (eram até três comerciais por intervalo)"
Em resposta às declarações, a coordenação da campanha de Elmano de Freitas sustentou que o resultado reflete a decisão legítima dos eleitores nas urnas. O coordenador da campanha petista, Chagas Vieira, afirmou que a decisão judicial apenas recompôs o tempo de veiculação retirado anteriormente. Já a assessoria do governador reeleito informou que não se manifestaria sobre os pontos abordados no documento.
A contagem oficial proclamou Elmano de Freitas vencedor em primeiro turno com 2.875.573 votos, alcançando 53,19% dos válidos. Ciro Gomes somou 2.498.891 votos, o correspondente a 46,22%, registrando uma diferença de 376.682 sufrágios na apuração final. Ao tratar da margem necessária para uma mudança de resultado, o tucano assinalou: "Faltaram 376.682, ou, vocês entenderão, apenas metade disto, ou seja 188.341 para vencermos."
No documento, o ex-governador acrescentou questionamentos sobre a situação socioeconômica e a gestão dos serviços públicos no Ceará. O texto enumerou marcas como 890 mil cidadãos na extrema pobreza e uma fila de 63 mil pacientes aguardando exames, consultas ou cirurgias na rede de saúde. Ao sintetizar os comentários sobre o cenário político local, o candidato derrotado registrou: "Abram o olho: nosso estado foi transformado num quintal do PT e isto está destruindo nosso futuro."
A reação contrasta com a postura adotada pelo ex-governador em disputas anteriores, nas quais reconheceu os resultados sem questionar as urnas. Ao confirmar que autorizou a equipe jurídica a acionar o Judiciário apesar de demonstrar descrença nas instituições, o tucano agradeceu o apoio recebido dos eleitores e reforçou a intenção de manter sua posição política, declarando: "Vale documentar que sigo lutando!"


