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,07/10/2026

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Eleito senador, Mauro Mendes defende flexibilização trabalhista e jornada diária de até 16 horas

Empresário e ex-governador de Mato Grosso criticou a legislação atual e se posicionou contra o fim da escala 6x1 em discussão no Senado.


Eleito senador, Mauro Mendes defende flexibilização trabalhista e jornada diária de até 16 horas Foto: Geraldo Magela/Agência Senado

O senador eleito por Mato Grosso, Mauro Mendes (União Brasil), defendeu a permissão para jornadas de trabalho de até 16 horas diárias no país, desde que haja pagamento proporcional. A declaração foi feita durante entrevista coletiva acompanhada por integrantes do PL e de sua coligação, ocasião em que ele se posicionou contra o fim da escala 6x1.

Ao criticar a proposta de redução da carga horária em debate no Congresso, o parlamentar argumentou que a legislação atual restringe a autonomia individual. Mendes citou a rotina de imigrantes no exterior para defender seu ponto de vista. "Eu, particularmente, defendo que o trabalhador no Brasil possa trabalhar como se trabalha nos Estados Unidos", afirmou.

Na avaliação de Mendes, a busca por maiores rendimentos justifica a possibilidade de ampliação das horas diárias de trabalho. "Lá nos Estados Unidos nós temos aí milhares e milhares e centenas de milhares de brasileiros que fogem daqui, entram clandestinamente nos Estados Unidos para trabalhar 12, 14, 16 horas por dia, 10 horas por dia, e ganham muito mais por isso e têm qualidade de vida melhor", declarou o senador eleito.

O empresário e ex-governador de Mato Grosso contestou os limites impostos pelas leis brasileiras e a fiscalização sobre as empresas. "No Brasil, se um trabalhador trabalhar 11 horas por dia, o patrão, a empresa, vai ser processado por trabalho escravo. Olha que absurdo", disse.

Mendes defendeu a redução da intervenção estatal e alegou que os trabalhadores possuem discernimento para negociar suas condições. "Não precisa achar que o Estado tem que proteger todo mundo, que tem que criar leis rígidas para proteger o trabalhador. Tem que ter uma relação justa entre trabalho e capital", afirmou.

O parlamentar complementou seu raciocínio ao sustentar que o mercado exige normas mais flexíveis para gerar desenvolvimento e aumento de renda. "Hoje todo mundo tem informação na palma da mão, pessoas conseguem se autotutelar", disse, ressaltando a necessidade de "mais liberdade econômica para que haja uma capacidade do país se desenvolver economicamente e os próprios trabalhadores produzirem mais, ganharem mais".

Pelas regras vigentes da CLT, a jornada padrão é de até oito horas diárias, sendo permitidas duas horas extras mediante acordo. A caracterização de trabalho análogo à escravidão no Código Penal exige a constatação de condições degradantes ou exaustivas, e não apenas a contagem isolada de horas. 

O posicionamento ocorre em meio à discussão no Senado de uma Proposta de Emenda à Constituição para reduzir o teto semanal de 44 para 40 horas. A medida é defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pela bancada do PT. Mendes foi o candidato ao Senado mais votado em Mato Grosso, com 1.187.352 votos, e toma posse em fevereiro de 2027.









Os impactos econômicos da redução de jornada dividem especialistas quanto aos efeitos financeiros no setor produtivo. No Senado, a proposta exige 49 votos em dois turnos para aprovação, com primeira votação prevista para a próxima semana pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).




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