Lula reconhece falhas na eleição e afirma: 'Foi a campanha menos organizada desde 1989'
Presidente analisa desorganização no 1º turno, cobra atuação nas redes sociais e define segurança pública e pauta trabalhista como focos para o 2º turno.
Presidente Lula durante encerramento da plenária com parlamentares, em Brasília - DF. Foto: Ricardo Stuckert O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reconheceu a parlamentares aliados que a articulação de sua candidatura à reeleição apresentou falhas de coordenação no primeiro turno. Durante o encontro, o chefe do Executivo avaliou que o desempenho nas urnas refletiu problemas internos de mobilização partidária. "Disse para o Edinho que essa foi a campanha menos organizada que participei desde 1989 e a gente colhe o que planta", afirmou.
Na primeira etapa da disputa presidencial, a chapa do PT obteve 45,16% dos votos válidos, terminando atrás de Flávio Bolsonaro, que alcançou 47,03%. O mandatário declarou ter ficado surpreso com o resultado diante das realizações de sua gestão nos últimos anos. "Eu, sinceramente, estranhei não termos ganhado as eleições. E mais ainda, estranhei não ter terminado em primeiro lugar", afirmou.
A análise crítica foi feita durante plenária com parlamentares mais jovens do campo da esquerda, em Brasília. O discurso do presidente acabou transmitido temporariamente pela internet antes de a exibição ser interrompida. "Fizemos uma campanha aquém da minha possibilidade", completou ao avaliar a condução das atividades eleitorais.
Integrantes mais jovens da bancada cobraram uma reestruturação imediata da presença da campanha nas plataformas virtuais. Atendendo às recomendações de aliados e de sua equipe, o presidente concordou em gravar vídeos em formato selfie para as redes sociais. "Mas o pessoal me enche o saco. Faz uma selfie, eu não gosto. Hoje, eu resolvi fazer", disse.
O chefe do Executivo orientou os aliados a rebaterem conteúdos negativos e declarações falsas divulgadas por adversários políticos. Segundo a avaliação apresentada no encontro, a militância precisa atuar de forma direta contra a circulação de desinformação. "E quando ver a notícia ruim, não é passar para a frente, é detonar. Porque a facilidade que eles têm de contar mentira é muito grande", declarou.
Para a etapa decisiva da eleição, a campanha pretende enfatizar propostas trabalhistas e ações voltadas à segurança pública. A estratégia inclui o confronto direto de posicionamentos em matérias legislativas como a revisão da jornada de trabalho e o fortalecimento do sistema prisional. "Para o povo trabalhador, a proteção. Para o bandido, a prisão", completou.


