"A direita foi engolida pelo bolsonarismo", diz Ana Elisa ao pedir voto conservador para Lula
Deputada eleita defende derrota de Flávio Bolsonaro como caminho para resgatar o conservadorismo e evitar risco autoritário.
Deputada federal eleita Ana Elisa grava vídeo com apelo a eleitores conservadores para a disputa do segundo turno. / Foto: Reprodução/Instagram/@anaelisast A deputada federal eleita Ana Elisa fez um apelo público aos eleitores de direita para que votem no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A parlamentar sustenta que a vitória de Lula é a única alternativa para conter a expansão de um projeto autoritário no país.
Na avaliação da congressista, um eventual governo de Flávio Bolsonaro (PL) representa um risco real de fechamento político e perda de garantias democráticas. Ela comparou a ameaça aos períodos do Estado Novo, de Getúlio Vargas, e da ditadura militar iniciada em 1964, citando ainda o incêndio no prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em Recife, como alerta sobre o clima político recente.
Ana Elisa alertou que a permanência do grupo político no poder pode inviabilizar o sistema democrático pelas próximas décadas. "O bolsonarismo não tem mais fôlego para se sustentar por mais quatro anos sem uma presidência da república. Mas caso o Flávio Bolsonaro ganhe daqui 15 dias, muito provavelmente nós viveremos um regime ditatorial bolsonarista por mais de 30 anos", declarou.
A parlamentar também defendeu que a direita tradicional precisa se desvincular da família Bolsonaro para reconstruir sua identidade política. Segundo a deputada, o movimento atual sufocou as correntes conservadoras moderadas.
Para explicar essa divisão, Ana Elisa apontou a existência de três forças distintas na política nacional. "Você que é de direita sabe que a direita foi engolida pelo bolsonarismo. No Brasil nós temos três hoje espectros políticos, esquerda, direita e bolsonarismo", afirmou.
O foco do pronunciamento foi direcionado aos simpatizantes de candidaturas conservadoras derrotadas no primeiro turno, com destaque para os eleitores de Renan Santos e Augusto Cury. A deputada frisou que esses cidadãos não precisam mudar de ideologia, mas proteger a possibilidade de alternância no poder.
Ao dirigir a palavra a esse grupo específico, a congressista defendeu a união temporária para reestruturar o campo conservador. "O eleitor que eu mais quero falar aqui hoje é o eleitor do Renan Santos. Eu sei que o eleitor do Renan Santos não é um eleitor com o mesmo espectro político e ideológico que o meu. Mas eu acho que vocês precisam pensar que vocês querem resgatar a direita no Brasil", ressaltou.
Ana Elisa reforçou que a derrota de Flávio Bolsonaro é o pré-requisito fundamental para que novas lideranças de direita voltem a governar o país futuramente. "Não existe a possibilidade, num pós-Lula, a direita governar o Brasil se nós não rompermos com o bolsonarismo este ano", completou.
A mobilização integra a estratégia da campanha do PT para atrair o eleitorado do candidato Renan Santos, do partido Missão, que obteve cerca de 2,6 milhões de votos e ficou na quarta colocação. Embora tenha rejeitado o apoio a Flávio Bolsonaro, Renan também declarou que não votará em Lula.
Eleita pelo PT de Minas Gerais aos 21 anos, Ana Elisa passou a integrar o núcleo de comunicação digital da campanha de Lula após a votação do primeiro turno. A estratégia busca explorar as divergências entre o grupo de Renan Santos e o PL para ampliar a votação do candidato petista no pleito marcado para o dia 25 de outubro.


