Lula classifica como tendenciosa a decisão do TSE sobre suspensão de canal no WhatsApp
Presidente questionou medida de Kassio Nunes Marques que determinou o bloqueio de grupo gerido por André Janones a pedido de Flávio Bolsonaro.
Foto: Reprodução/ YouTube/ Lula O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o PT recorrerá judicialmente contra as determinações recentes do Tribunal Superior Eleitoral. O presidente contestou o posicionamento da corte após o bloqueio de canais governistas nas redes sociais.
"Nós vamos hoje entrar na Justiça com o pedido do nosso partido para que a gente equilibre esse jogo. Não vamos aceitar intromissões indevidas da Justiça Eleitoral", declarou o chefe do Executivo.
Lula direcionou críticas diretas à atuação do presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques. O petista afirmou desconfiar das ações da Justiça Eleitoral e qualificou como "tendenciosa" a postura adotada em relação aos seus aliados.
"Estou desconfiado do comportamento do presidente da Justiça Eleitoral, que tem bloqueado muita gente nossa", afirmou. O candidato acrescentou ainda: "Há alguns dias nós percebemos que há muita questão tendenciosa. Não é possível que um presidente da Justiça Eleitoral não tenha um comportamento civilizado, republicano, sem interferência da Justiça".
A coordenação da campanha de Lula também manifestou rejeição à medida individual tomada pelo magistrado. Em nota, o grupo contestou o ato judicial.
"Causa estranheza e revolta a decisão do ministro Nunes Marques e a campanha está analisando as medidas jurídicas cabíveis", informou a equipe do candidato.
Diante do bloqueio, o deputado federal André Janones divulgou gravações de áudio no próprio aplicativo para incentivar a circulação de um vídeo de resposta. O parlamentar contestou publicamente o ato do tribunal.
"Não é que se Flávio Bolsonaro for eleito haverá censura; a censura já começou", disse Janones no vídeo veiculado. O deputado concluiu com um aviso aos apoiadores: "Nós não vamos nos calar."
A ordem liminar proferida por Kassio Nunes Marques estabelece que o WhatsApp suspenda o canal "Exército do Lula" no prazo de três horas após a notificação. A determinação impede novas postagens e o ingresso de inscritos no canal gerido por Janones até a homologação dos resultados do segundo turno das Eleições 2026.
Segundo a avaliação do presidente do TSE, a página contava com mais de 3 milhões de seguidores e funcionava como uma rede coordenada para propagar conteúdos desinformativos anteriormente vedados. A representação partiu do candidato Flávio Bolsonaro, sob a sustentação de que o canal veiculava informações falsas referentes a ligações com milícias, alteração no título de padroeira do Brasil e cortes em benefícios sociais.
A decisão de Nunes Marques foi tomada de forma antecipada em relação aos prazos regimentais em andamento no tribunal. No dia anterior, o corregedor do TSE, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, havia assinado despacho concedendo cinco dias para que Janones, a campanha de Lula e a defesa de Flávio apresentassem manifestações e provas na corte.


