Lula envia carta a evangélicos, defende folga semanal e pede reflexão no voto
Em busca de aproximação no segundo turno, candidato do PT associa pautas do governo aos valores cristãos e aborda fim da escala 6x1 e veto às bets.
Foto: Ricardo Stuckert O candidato à reeleição Luiz Inácio Lula da Silva divulgou uma carta aberta direcionada às famílias evangélicas brasileiras, publicada pela Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito. No documento, o presidente associa propostas de sua gestão ao fortalecimento dos lares e convoca os eleitores a refletirem sobre o voto no segundo turno. A votação decisiva está marcada para o dia 25 de outubro.
Entre os pontos centrais da mensagem, o petista destaca o combate às apostas virtuais e a defesa de dois dias de descanso semanal com o fim da escala 6x1. O texto argumenta que a redução da jornada garante mais tempo para a convivência familiar e para a vida religiosa. "As pessoas precisam de mais tempo para descansar, ter lazer e estar em casa com os seus, fortalecendo os vínculos familiares. Para o povo evangélico, isso garante, inclusive, mais tempo para estar na igreja em comunhão com os irmãos e em adoração", afirma o presidente na carta.
Lula também afirma seu respeito pelas diferentes manifestações de fé no país, destacando pontos de convergência na proteção social. Ao tratar do momento eleitoral, o candidato pede aos fiéis que busquem orientação divina antes de ir às urnas. "Não sou evangélico, mas tenho total respeito por quem é, assim como tenho por todas as religiões e profissões de fé", declara no documento, acrescentando ao final: "Sei que, nas famílias evangélicas, tudo se decide em oração. Por isso, conclamo vocês a pedirem discernimento a Deus para fazer a escolha nesta eleição. Vá às urnas com a consciência livre e com a aliança renovada com o nosso amado Brasil".
A manifestação cita ainda compromissos com a saúde pública, o combate ao crime organizado, a proteção de crianças e mulheres, o ganho de renda e a preservação ambiental. A publicação do texto ocorreu no mesmo dia em que o Senado previa votar a proposta de redução da jornada de trabalho. A pauta trabalhista figura como um dos pilares da campanha governista.
A iniciativa busca reduzir a diferença no segmento evangélico em relação ao concorrente de segundo turno, Flávio Bolsonaro, já que levantamentos de intenção de voto apontam o adversário à frente nesse eleitorado. O PT já havia divulgado manifestação similar ao grupo em junho, repetindo gesto realizado na campanha de 2022.
Em paralelo à divulgação do documento, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o advogado-geral da União Jorge Messias lançaram o canal de WhatsApp "Cristãos com Lula 13". A ação ocorreu no mesmo dia em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão por 48 horas do canal "Exército do Lula", mantido pelo deputado André Janones. A medida na Justiça Eleitoral atingiu o espaço digital que reunia mais de 4 milhões de inscritos.


