Campanha de Flávio Bolsonaro escala Deltan Dallagnol para analisar documentos de sigilos de Lula
Ex-procurador da Lava Jato e senador eleito ficará responsável por examinar dados bancários e fiscais apresentados pelo petista.
Deltan Dallagnol foi escolhido para checar inconsistências em extratos e relatórios de Lula e familiares. Foto: Roque de Sá/Agência Senado A campanha do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) anunciou a escolha do ex-procurador da República e senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) para auditar os documentos de sigilos bancário e fiscal apresentados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A equipe pretende examinar as informações fiscais e bancárias do petista e de pessoas ligadas a ele para identificar possíveis inconsistências. O comunicado da campanha indicou que a intenção é utilizar a fiscalização para "desconstruir a narrativa petista".
A verificação vai abranger dados da primeira-dama Janja, do filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. A equipe de Flávio justificou a indicação de Deltan por sua experiência prévia na coordenação da Operação Lava Jato em investigações sobre esquemas financeiros. A orientação repassada ao parlamentar eleito é examinar "cada extrato e relatório" disponibilizado pela defesa adversária.
Em manifestação oficial, os aliados de Flávio sustentaram que a entrega dos papéis não encerra o debate sobre a transparência das contas. "A campanha de Flávio Bolsonaro defende que a sociedade brasileira tenha acesso à verdade e que nenhuma promessa de transparência seja tratada como prova antes de uma análise criteriosa dos fatos", declarou o grupo em nota. No posicionamento, a equipe acrescentou: "Se Lula afirma não ter nada a esconder, a documentação precisa ser examinada com rigor, independência e sem concessões. O que importa não é o discurso, mas o que os documentos efetivamente demonstram."
A escalação de Deltan ocorre durante a troca de desafios no Tribunal Superior Eleitoral sobre a divulgação de registros bancários, fiscais e telefônicos antes da votação. Na terça-feira, Lula protocolou um requerimento no TSE para liberar seus dados dos últimos oito anos, condicionando a medida à atitude equivalente do adversário. Em reação, Flávio estabeleceu 21 condições para abrir o próprio sigilo, levando o presidente a aceitar a inclusão de registros do Instituto Lula e do cartão corporativo.


