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,28/10/2026

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Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para abertura de sigilos; decisão final é de André Mendonça

Campanhas aceitam condições para liberação de dados bancários, fiscais e telefônicos após entendimento sobre inclusão de empresa investigada pela PF.


Lula e Flávio Bolsonaro assinam acordo para abertura de sigilos; decisão final é de André Mendonça O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o senador Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado (esq) | Ricardo Stuckert (dir)

As campanhas presidenciais do presidente Lula (PT) e do senador Flávio Bolsonaro (PL) fecharam um acordo nesta quinta-feira (22) para autorizar a abertura de seus sigilos bancários, fiscais e telefônicos. O documento com o entendimento foi entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), mas a liberação efetiva dos dados depende da autorização do ministro André Mendonça, relator da ação. As equipes têm até as 23h59 de hoje para entregar todos os documentos.

O consenso entre as equipes ocorreu após a superação de um impasse envolvendo a Alcazar Holdings, empresa offshore na Ilha da Madeira citada em investigações da Polícia Federal. O Partido dos Trabalhadores exigiu a inclusão da companhia na petição, condição aceita pelos representantes do Partido Liberal. Para confirmar a inclusão, o presidente do PT, Edinho Silva, declarou: “Infelizmente, nós tivemos um embate agora para que a empresa não ficasse de fora desse gesto de transparência. Eles acataram depois de nós não cedermos e nós colocamos como condicionante, que eles aceitaram”.

Com a manutenção da offshore no pedido, a intenção do PT é permitir a apuração de eventuais conexões financeiras com o senador Flávio Bolsonaro, que nega irregularidades. Segundo a legenda petista, cabe agora ao relator requisitar as informações necessárias. Sobre o alcance da medida, Edinho Silva afirmou: “Agora nós vamos saber quais são as relações existentes, porque nós, a partir dessa petição, o ministro André Mendonça, bom que diga, o ministro André Mendonça, tem todo o poder para requisitar todas as informações em relação a essa empresa e mais as relações do Willer Tomaz com o Flávio Bolsonaro”.

Para fechar o termo, a candidatura de Lula aceitou 19 exigências apresentadas pela equipe adversária, que abrangem dados de familiares e empresas desde 2003. A defesa de Flávio Bolsonaro sustentou que irá examinar os documentos entregues pelos petistas antes de disponibilizar os registros do parlamentar. Representando a campanha do PL, a advogada Maria Claudia Bucchianeri apontou: “Se eles trouxerem tudo, a gente traz”.

O ex-procurador Deltan Dallagnol foi indicado pela campanha do PL para fazer a conferência do material apresentado pelo presidente. Ele defendeu que a fiscalização englobe o histórico do petista na Presidência da República desde o primeiro mandato. Ao comentar o objetivo da verificação, Deltan Dallagnol disse: “O desafio foi lançado e o desafio foi aceito. Eu acho que o que o povo brasileiro quer saber é se os candidatos que se colocam nessa reta final da campanha, se eles em algum momento se enriqueceram com a máquina pública”.

Dallagnol criticou a restrição temporal na divulgação dos registros bancários e fiscais, defendendo a consulta além dos últimos oito anos. O ex-procurador justificou a exigência ao comparar a duração dos mandatos dos dois postulantes. Ao fundamentar a análise desde 2003 e citar sua atuação na Lava Jato, Deltan Dallagnol declarou: “Por isso que nós pedimos que o sigilo não seja de oito anos. Oito anos é o mandato de senador do candidato Flávio Bolsonaro. Nós precisamos dar um passo um pouco além, porque afinal de contas o Lula está no poder há quase 20 anos. A última vez que eu fiz isso, Lula foi parar na cadeia”.

Representantes da campanha petista afirmaram que a divulgação permitirá ao eleitorado avaliar a postura de cada candidato antes do segundo turno. Ao tratar do impacto do acordo nas urnas, Edinho Silva disse: “Vocês vão ver quem defende transparência ou não. Claro que o Poder Judiciário vai tomar as providências cabíveis, mas quem vai julgar o Flávio vai ser o Brasil no dia 25”. No mesmo sentido, o senador Camilo Santana reforçou: “O povo brasileiro vai ver quem é ladrão e quem não é”.

















A negociação sobre os sigilos começou no domingo (18), durante debate promovido pela TV Band entre os dois candidatos. Na terça-feira (20), a campanha do PT deu entrada no TSE com a proposta para liberação dos registros. No dia seguinte, na quarta-feira (21), a candidatura do PL respondeu com a lista de condicionantes, resultando no encontro de quinta-feira (22) entre representantes como Guilherme Boulos (Psol), Camila Jara (PT), Camilo Santana (PT) e assessores jurídicos.




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