Parlamentares acionam órgãos jurídicos e pedem retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro
Iniciativas de três deputados alegam risco de fuga do senador após derrota eleitoral, enquanto investigações da Polícia Federal seguem em andamento
Senador Flávio Bolsonaro é alvo de ações parlamentares após derrota no segundo turno presidencial. Foto: Joédson Alves/Agência Brasil Três deputados federais entraram em ação para tentar impedir que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) deixe o território nacional após o resultado do segundo turno da disputa presidencial. Os pedidos de retenção de passaporte foram apresentados por Duda Salabert (Psol-MG), Otoni de Paula (PSD-RJ) e Rogério Correia (PT-MG), sob a justificativa de risco de fuga do parlamentar.
Em uma das frentes, Otoni de Paula protocolou uma representação junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) para cobrar a entrega do passaporte e outras medidas cautelares urgentes. O deputado informou que construiu o requerimento em conjunto com advogados para evitar que o senador saia do país. "O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar", declarou em vídeo divulgado.

Reprodução/X/@DudaSalabert
As movimentações dos parlamentares têm como base apurações da Polícia Federal sobre o senador. Sob relatoria do ministro André Mendonça no STF, um dos inquéritos investiga supostos repasses de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para o filme Dark Horse, que aborda a trajetória de Jair Bolsonaro. Flávio afirma que buscou captação privada para a produção e nega a concessão de qualquer benefício em troca dos recursos.
Outro procedimento da corporação federal apura suspeitas de lavagem de capitais em operações ligadas ao mercado financeiro e a casas de apostas. Essa investigação atinge também o advogado Willer Tomaz, e ambos os citados rechaçam qualquer irregularidade.
Com a vitória que reelegeu Lula para um quarto mandato, Flávio Bolsonaro ficará sem cargo eletivo a partir de fevereiro de 2027, fato inédito em seus 24 anos de carreira política. Conforme decisão estabelecida pelo STF em março de 2025, o tribunal pode manter a competência penal sobre atos vinculados ao mandato mesmo após o fim da função pública.
Logo após o encerramento da votação no domingo (25), o senador anunciou que pedirá a anulação da disputa presidencial. Flávio classificou a vitória do adversário como "inaceitável" e declarou que não vai desistir do país.


