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,28/10/2026

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Com derrota, Flávio perde foro privilegiado e fica sem cargo público pela primeira vez em 24 anos

Derrotado na corrida presidencial, senador deixará o Congresso em janeiro de 2027; ministros decidirão destino de apurações criminais.


Com derrota, Flávio perde foro privilegiado e fica sem cargo público pela primeira vez em 24 anos Foto: Ton Molina/Agência Senado

A derrota na disputa pelo Palácio do Planalto marcará o encerramento de uma sequência de 24 anos ininterruptos de mandatos eletivos de Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar deixará o Congresso Nacional em 31 de janeiro de 2027 e ficará sem cargo público, perdendo a prerrogativa de foro enquanto responde a apurações no Supremo Tribunal Federal (STF).

Na votação do segundo turno, o senador somou 59.826.041 votos (48,21% dos válidos), sendo superado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 64.256.232 votos (51,79%). A diferença final foi de 4,4 milhões de votos, revertendo o quadro da primeira fase da eleição, na qual o congressista havia liderado a corrida com 47,03% contra 45,16% do concorrente.

Logo depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) oficializar a reeleição de Lula, Flávio reuniu aliados e declarou que pedirá a anulação da rodada final, comunicando que não reconhece o resultado das urnas. Pela primeira vez desde fevereiro de 2003, ele ficará sem mandato, já que optou por disputar a Presidência em vez de tentar a reeleição para o Senado.

O término do mandato parlamentar não determinará o envio automático de todos os procedimentos para a primeira instância da Justiça. Conforme entendimento fixado pelo STF em março de 2025, investigações ligadas a supostos crimes cometidos durante o exercício do cargo e vinculados às funções legislativas podem permanecer no tribunal, cabendo aos relatores deliberar sobre a competência em cada caso.

Entre as ações em andamento, o Inquérito 5.045, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, investiga possível crime de calúnia contra Lula. A denúncia partiu de uma postagem feita por Flávio na rede social X, em janeiro de 2026, associando o petista a supostos delitos após a prisão de Nicolás Maduro na Venezuela, situação na qual a Polícia Federal apontou indícios de conduta criminosa.

O congressista também figura no Inquérito 5.070, conduzido pelo ministro André Mendonça, que apura o financiamento do filme Dark Horse, focado na história de Jair Bolsonaro, com ênfase em repasses atribuídos a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. Flávio confirmou ter conversado com o banqueiro para levantar recursos à obra, mas negou ter oferecido vantagens indevidas.

Além disso, corre em caráter sigiloso sob relatoria de Moraes uma investigação da Polícia Federal acerca de movimentações financeiras entre o senador e o advogado Willer Tomaz, envolvendo empresas de apostas e pagamentos digitais. Flávio afirma manter somente relação de amizade com o empresário e nega a existência de irregularidades.

Filho mais velho de Jair Bolsonaro, Flávio iniciou sua vida pública em 2002 ao ser eleito deputado estadual aos 21 anos, acumulando quatro mandatos consecutivos na Assembleia Legislativa do Rio. Após disputar a Prefeitura do Rio em 2016 e terminar em quarto lugar, Flávio foi eleito senador em 2018 com cerca de 4,38 milhões de votos. O parlamentar também teve a trajetória marcada pelo caso das chamadas rachadinhas, investigação que apurou suspeitas de recolhimento de parte dos salários de funcionários de seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio. A denúncia acabou rejeitada pela Justiça em 2022, após a anulação de provas por tribunais superiores, em processo no qual o senador sempre negou qualquer irregularidade.




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