Lula classifica saída de Flávio Bolsonaro do Brasil para os Estados Unidos como ato vergonhoso
Presidente reeleito afirmou que quem não deve não teme e cobrou retenção de passaporte do senador derrotado nas urnas.
Lula discursa para apoiadores em Brasília ao comentar sobre saída de Flávio Bolsonaro do país. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil O presidente Luiz Inácio Lula da Silva classificou a viagem do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos como "um ato vergonhoso". A declaração ocorreu nesta terça-feira (27) durante encontro com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, onde comemorou seu aniversário de 81 anos após vencer a eleição presidencial no domingo (25).
Ao avaliar o episódio, o chefe do Executivo sustentou que o adversário político possui pendências com o Judiciário brasileiro. "O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa", afirmou Lula, acrescentando que o parlamentar deveria ter tido o documento oficial de viagem recolhido pelas autoridades. "A Polícia Federal já devia suspeitar que ele sairia do Brasil, ele tem inquérito", declarou.
A ida do candidato derrotado ao território norte-americano se deu em menos de 48 horas após a divulgação do resultado das urnas. O fato foi relatado nas redes sociais pelo investidor mexicano Simón Levy, citando mediação do secretário de Estado Marco Rubio, e confirmado pela agência Reuters. O senador não entregou seus passaportes à Polícia Federal, contrariando ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Atualmente, o parlamentar do Partido Liberal (PL) é investigado junto com o advogado Willer Tomaz por suspeita de lavagem de dinheiro em plataformas digitais de apostas. Além disso, existe outra apuração em andamento sobre os recursos aplicados no financiamento do filme Dark Horse, produção a respeito da trajetória de seu pai.
Diante do caso, Lula estabeleceu um contraponto com sua própria trajetória e relembrou quando foi detido em abril de 2018, ocasião em que entregou o passaporte e se apresentou espontaneamente à Polícia Federal. Ele cumpriu 580 dias de prisão até ser libertado em novembro de 2019, antes de o STF anular as condenações reconhecendo a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro, hoje governador eleito pelo PL.
Em seu discurso, o presidente explicou a motivação de sua conduta perante a Justiça na época das investigações. "Resolvi me entregar na Polícia Federal porque queria desmascarar meus acusadores e provar minha inocência", ressaltou aos presentes.
Lula finalizou a manifestação associando sua recondução ao Palácio do Planalto à postura de prestar esclarecimentos de forma direta. "E estou aqui sendo reeleito para mais um mandato por conta de vocês. Por isso eu digo a vocês, quem não deve, não teme", concluiu perante o público.


