Coordenador de campanha do PL reconhece falta de provas sobre fraude eleitoral
Senador Rogério Marinho afirmou que acusações feitas por Flávio Bolsonaro em carta representam apenas um desabafo.
O senador Rogério Marinho. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil O Partido Liberal (PL) admitiu a ausência de provas para sustentar as acusações de fraude no segundo turno das eleições presidenciais de 2026. Em entrevista coletiva no Senado Federal, em Brasília (DF), o coordenador da campanha eleitoral do partido, senador Rogério Marinho (PL-RN), reconheceu que não existem elementos para confirmar as suspeitas. "O PL não pode fazer essa afirmação, nem eu posso fazer essa afirmação, porque não há provas nesse sentido", declarou o parlamentar.
A declaração do dirigente ocorreu após a divulgação de uma carta por Flávio Bolsonaro (PL), candidato derrotado no pleito, que deixou o país rumo aos Estados Unidos (EUA). O documento publicado na rede social X, antigo Twitter, passou por alterações 30 minutos depois do lançamento, substituindo a expressão "presidente eleito" por "líder do Brasil". "Acredito que deve ter havido algum problema na confecção da carta", afirmou Rogério Marinho ao comentar a mudança do texto.
Para a liderança do partido, a carta oficial reflete o papel político alcançado pelo senador após a votação nacional. O parlamentar ressaltou o expressivo contingente de votos recebido pelo correligionário na disputa recente. "A carta que está no seu Twitter, que é carta oficial, a definitiva, ele se coloca como líder. De fato, Flávio, pelo número de votos que teve, pelo papel que desempenhou nas últimas eleições, é hoje a maior expressão da direita no Brasil", avaliou.
O coordenador de campanha avaliou que as alegações de fraude formuladas pelo aliado seriam uma forma de desabafo diante da decisão de sair do país. De acordo com o senador, a permanência no exterior é o caminho viável para a atuação da oposição no momento. "Na verdade, é o que ele pode fazer. Porque aqui no Brasil é impossível, pelo menos pelos sinais que estavam sendo demonstrados, que ele pudesse exercer esse papel", afirmou.
A viagem de Flávio Bolsonaro ocorreu de forma voluntária, sem a existência de ordem de prisão emitida pelo Judiciário. O ex-candidato embarcou na Argentina em um avião privado fretado, tendo contra si apenas a determinação judicial de entrega dos passaportes à Polícia Federal (PF). O parlamentar responde no Supremo Tribunal Federal (STF) a inquéritos sobre lavagem de dinheiro, corrupção e evasão de divisas, perdendo o foro privilegiado ao final do mandato no Senado.
No segundo turno realizado no domingo (25), o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) somou 64 milhões de votos, contra 59 milhões de Flávio Bolsonaro. As queixas sobre a extensão do horário de votação até as 19h pelo ministro Cristiano Zanin (STF) envolveram 34.393 votos, em uma medida solicitada pelas próprias campanhas do PL e do PT. O resultado da eleição com 158,7 milhões de eleitores aptos foi chancelado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), pela Organização dos Estados Americanos (OEA) e reconhecido pelo próprio PL.
No cenário internacional, o presidente dos EUA, declarou que não vai se envolver no episódio. Rogério Marinho defendeu a soberania das instituições brasileiras para conduzir as questões políticas do país. "Eu espero que não haja nenhuma intervenção no processo interno do Brasil", concluiu o senador.


