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,29/10/2026

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Governo estuda criar lista suja e bloquear crédito público para empresas praticantes de assédio eleitoral

Medida prevê restrições financeiras via Banco Central após Ministério Público do Trabalho registrar mais de mil denúncias recentes


Governo estuda criar lista suja e bloquear crédito público para empresas praticantes de assédio eleitoral Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Empregadores que praticarem assédio eleitoral contra funcionários poderão perder o acesso a empréstimos e financiamentos em instituições financeiras públicas e integrar uma cadastro de infratores mantido pelo Governo Federal. A sanção administrativa e bancária foi anunciada nesta quarta-feira (28), em Brasília (DF), durante coletiva de imprensa com representantes do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), do Ministério Público do Trabalho (MPT) e do Tribunal Superior do Trabalho (TST).

O plano governamental estabelece que o Banco Central repasse a identificação das empresas punidas à rede bancária nacional para bloquear concessões de crédito público. Para operacionalizar as fiscalizações, foi estruturada uma força-tarefa especial com o objetivo de apurar coações e demissões motivadas por opinião política. Conforme destacou o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a intenção é dar publicidade aos abusos cometidos no ambiente de trabalho: "[O objetivo é] poder, além das providências, ter uma lista que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador".

A urgência das medidas decorre do avanço expressivo de relatos formais encaminhados aos órgãos de fiscalização. O MPT contabilizou 1.140 denúncias registradas em apenas três dias, das 3.080 notificações recebidas desde o início do período de campanha. Diante do aumento de casos na reta final, o procurador regional do trabalho Maurício Coentro Pais de Mello ressaltou o impacto das queixas pós-votação: "Isso mostra exatamente que quase 30% das denúncias ocorreram pós-processo eleitoral. Isso é uma preocupação muito grande".

A coação engloba atitudes como demissões, ameaças de corte de benefícios, recusa de contratação e pressão psicológica sobre a escolha do eleitor. A legislação trabalhista garante proteção ao trabalhador assalariado ou autônomo independentemente da sua preferência partidária. Ao abordar a garantia constitucional de voto, Luiz Marinho afirmou que a fiscalização atuará sem distinção ideológica: "Nós não estamos falando de coloração A ou B. O trabalhador tem o direito democrático garantido na nossa Constituição de ter o direito à sua opção política".

Os prejuízos relatados atingem desde pequenos estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços autônomos nas redes sociais até grandes empresas e propriedades rurais. O presidente do TST, ministro Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, advertiu os empresários sobre as severas consequências jurídicas e financeiras decorrentes da prática ilícita. O magistrado enfatizou a celeridade das punições ao declarar: "É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande".

Para viabilizar as apurações, o Governo Federal disponibilizou dois canais oficiais de denúncia nos portais virtuais do MTE e do MPT. O objetivo do poder público é averiguar com rapidez as queixas enviadas pelos cidadãos e aplicar as sanções cabíveis. Reafirmando o rigor das autoridades contra constrangimentos no emprego, o ministro Luiz Marinho concluiu: "Se tiver mau empresário, terá a mão pesada do Estado. É isso que nós estamos anunciando aqui".
















No âmbito do ambiente virtual, o secretário executivo do Ministério da Justiça (MJ), Adhemar Borges, pontuou que as plataformas digitais possuem a obrigação legal de remover conteúdos ilícitos e violentos. As redes sociais devem atuar na exclusão proativa de postagens de coação eleitoral, independentemente de notificação prévia do usuário. Ao citar relatos de perseguição na internet, Adhemar Borges assinalou: "Há registro de casos que envolvem as relações de trabalho e que expressam diversas formas de opressão, de assédio e de constrição à liberdade dos trabalhadores em relação ao voto, inclusive com chamamentos a boicotes e demissões".

* Com informações da Agência Brasil.




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