Flávio Bolsonaro se reúne com Eduardo e Ramagem nos EUA para articular oposição
Senador desembarcou em Miami acompanhado da família após derrota eleitoral e entrega de passaportes decretada pelo STF.
Foto: Reprodução Instagram/@bolsonarosp | Reprodução X/@delegadoramagem O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) encontrou-se com o irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, e com o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem, nos Estados Unidos, na quarta-feira (28). O parlamentar desembarcou pela manhã em Miami acompanhado da esposa e das filhas, logo após o segundo turno das eleições presidenciais vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A reunião marcou o reencontro dos irmãos em solo norte-americano. Nas redes sociais, Eduardo publicou uma fotografia registrada durante o encontro e comemorou a presença do senador no exterior. "Foto de hoje, após reencontrar meu irmão Flávio. Ontem foi um dia longo, talvez o mais longo da minha vida. Mas prevalecemos. Mesmo aqui de fora não desistiremos do Brasil", declarou o ex-deputado, acrescentando ainda a citação do escritor Olavo de Carvalho: "Não parar, não precipitar, não retroceder".
Em seguida, o ex-diretor da Abin, Alexandre Ramagem, também divulgou um registro ao lado do senador, em que Flávio aparece segurando uma bandeira do Brasil. Na publicação, o aliado defendeu a atuação política do parlamentar no exterior. "Hoje nos Estados Unidos. Livre da perseguição para ser a voz do Brasil por liberdade, segurança e prosperidade", afirmou Ramagem.
No mesmo dia do desembarque, Flávio divulgou uma carta na qual contestou o resultado da votação, alegando fraude sem apresentar provas, e anunciou a intenção de liderar a oposição ao governo brasileiro a partir dos Estados Unidos. No documento, alterado poucas horas após a publicação original, o senador substituiu a autodefinição de "verdadeiro presidente eleito do Brasil" pelo termo "líder do Brasil".
A viagem do parlamentar ocorreu depois que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a entrega de seus passaportes diplomático e comum à Polícia Federal (PF). Para deixar o país, Flávio utilizou a cidadania italiana que possui. A Polícia Federal informou que a determinação das medidas cautelares não caracteriza o senador como foragido da Justiça, visto que não há mandado de prisão expedido contra ele.
Diferentemente do irmão, Eduardo Bolsonaro é considerado foragido. O ex-deputado mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025 para articular sanções a ministros do STF e tarifas comerciais ao Brasil durante o julgamento de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. Por essa conduta, acabou condenado pelo STF a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo, teve a prisão decretada por Moraes em 8 de outubro de 2026, perdeu o mandato por faltas na Câmara dos Deputados em dezembro de 2025 e foi demitido do cargo de escrivão da PF por abandono de função em setembro de 2026.
Também enquadrado como foragido, Alexandre Ramagem deixou o Brasil clandestinamente em 2025, atravessando a fronteira com a Guiana até chegar aos Estados Unidos. O ex-diretor da Abin foi condenado pelo STF a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão por participação na trama golpista e teve o mandato de deputado federal cassado. Em abril de 2026, Ramagem chegou a ser detido por dois dias pelo Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE) por razões migratórias relacionadas ao visto, permanecendo no país após ser liberado.


