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,29/10/2026

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Polícia Federal indicia banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 por fraudes no Banco Master e BRB

Relatório aponta R$ 12,2 bilhões em créditos sem comprovação e prejuízo calculado de R$ 2,7 bilhões ao banco público.


Polícia Federal indicia banqueiro Daniel Vorcaro e mais 14 por fraudes no Banco Master e BRB Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

A Polícia Federal (PF) concluiu o relatório parcial do Inquérito 5026, no âmbito da Operação Compliance Zero, e indiciou 15 pessoas por fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e o Banco Regional de Brasília (BRB). Entre os acusados estão o ex-controlador do Banco Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, em Brasília (DF). O documento de 703 páginas foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A investigação aponta que as duas instituições negociaram R$ 17,5 bilhões em carteiras de crédito entre julho de 2024 e outubro de 2025, sendo que ao menos R$ 12,2 bilhões não possuíam comprovação adequada de existência. A corporação formalizou a apuração de R$ 2,7 bilhões em perdas diretas provocadas ao banco público do Distrito Federal. Conforme os investigadores, trata-se de um valor real, "não se tratando de estimativa abstrata ou de risco meramente eventual".

Apontado como líder do esquema, Vorcaro transformava títulos fictícios em ativos vendidos à instituição pública. Segundo a PF, o ex-banqueiro, custodiado no presídio da Papudinha, em Brasília (DF), mantinha "participação pessoal, reiterada e diretiva" nas transações irregulares. O relatório ressalta que ele "ocupava o centro decisório da estrutura examinada e era o principal beneficiário econômico das operações".

Grande parte das perdas se originou em contratos atribuídos à empresa de fachada Tirreno Consultoria. A fiscalização do Banco Central examinou uma amostra de 100 contratos da empresa e não conseguiu comprovar a existência de nenhum dos empréstimos. Além disso, análises com 30 supostos clientes não identificaram qualquer movimentação bancária que demonstrasse a liberação dos recursos.

Mesmo diante de alertas internos e questionamentos do órgão regulador, o BRB deu continuidade às aquisições e desembolsou R$ 7,6 bilhões antes da conclusão de pareceres técnicos. Para burlar a supervisão do Conselho de Administração, as compras eram fracionadas em operações de até R$ 750 milhões, permitindo aprovação restrita à diretoria colegiada. Diante das irregularidades, o Banco Central proibiu o BRB de adquirir novos ativos em outubro de 2025.

Os suspeitos responderão pelos crimes de gestão fraudulenta, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Além de Vorcaro e Paulo Henrique Costa, foram indiciados Augusto Ferreira Lima, Angelo Antônio Ribeiro da Silva, Luiz Antonio Bull, Alberto Félix de Oliveira Neto, Allan da Silva Machado, Henrique Souza e Silva Peretto, André Felipe de Oliveira Seixas Maia, Daniel Lopes Monteiro e Dario Oswaldo Garcia Junior. A lista inclui ainda os diretores do BRB Luana de Andrade Ribeiro, Cristiane Maria Lima Bukowitz, Diogo Ilário de Araújo Oliveira e José Maria Correa Dias Junior.

Em nota, a defesa de Daniel Vorcaro sustentou que as operações não causaram prejuízo ao banco público e criticou a atuação da corporação. Os advogados declararam que a PF se "limita a repetir a mesma narrativa" e destacaram que "nenhuma perícia oficial apurou qualquer prejuízo". A defesa argumentou ainda que as carteiras da Tirreno foram substituídas por outros ativos que geraram resultados positivos ao BRB.

















A PF solicitou ao STF a prorrogação das investigações por mais 60 dias. O prazo será dedicado à finalização de exames periciais pendentes e à elaboração do relatório complementar da Operação Compliance Zero.




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