Lula aponta entrave constitucional na segurança, defende PEC e rebate cobrança sobre a Bahia
Presidente atribuiu fortalecimento de facções à divisão de competências de 1988 e detalhou planos para eventual quarto mandato
Foto: Ricardo Stuckert/ PT O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi questionado sobre a expansão do crime organizado no país nas últimas duas décadas. Os entrevistadores pontuaram que o período compreende 17 anos sob administrações petistas e seus três mandatos presidenciais.
Lula argumentou que o modelo de segurança da Constituição de 1988 descentralizou as ações e dificultou o combate coordenado ao crime. De acordo com o mandatário, a centralização de competências nos governadores ocorreu como reação ao período militar.
O presidente declarou: "Na Constituição de 88, a Constituição aprovou que a segurança pública era da responsabilidade do Estado. A sociedade estava cansada dos militares terem gerência nas políticas estaduais e nós, então, a pedido de todos os progressistas da Constituição, demos para o Estado".
Ele explicou que a União ficou restrita a atuar por meio de órgãos como a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal. Para superar essa limitação e integrar as forças de segurança, Lula defendeu a aprovação da PEC da Segurança Pública.
O petista revelou estar em negociações diretas com as lideranças do Poder Legislativo para viabilizar a votação. Ele afirmou: "Eu estou discutindo no Congresso Nacional, foi colocado para votar agora, por isso que eu almocei com o Alcolumbre e com o Hugo Motta, votar a PEC da Segurança Pública".
A segurança pública gerou o ponto de maior tensão da entrevista ao tratar dos índices de violência na Bahia, administrada pelo PT há cerca de 20 anos. Lula rebateu o questionamento dos jornalistas de forma enfática: "Não seja injusto com a Bahia".
O presidente alegou que nenhum governo estadual consegue solucionar o problema de maneira isolada. Ele defendeu investimentos em inteligência, presença de forças federais e o reforço na cooperação internacional, inclusive com os Estados Unidos, para combater a lavagem de dinheiro.
Na educação, Lula foi confrontado com o baixo aprendizado de matemática no ensino médio público. Ele destacou iniciativas federais como o Pé-de-Meia e a expansão do ensino integral, mas reiterou que a execução direta do ensino básico é dever de estados e municípios.
Para um eventual quarto mandato, o candidato de 80 anos projeta liderar uma "revolução tecnológica". O plano prevê processar minerais críticos nacionalmente para produzir e exportar itens como chips, baterias e inteligência artificial.
Lula enfatizou a importância de o país deixar de exportar apenas commodities minerais brutas. Ele concluiu: "Eu quero que o Brasil seja exportador de inteligência e de conhecimento".


