Renan Santos acusa Dias Toffoli de retaliação após suspensão de campanha presidencial
Candidato do Missão relacionou decisão do ministro do STF a manifestações que promoveu contra a atuação de Toffoli no caso Banco Master.
Reprodução/Youtube O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) acusou o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), de retaliação após a decisão que determinou a suspensão de sua campanha eleitoral. A declaração foi divulgada em listas de transmissão do candidato.
Renan relacionou a decisão às manifestações que promoveu no primeiro semestre contra a atuação de Toffoli no inquérito do Banco Master. O candidato afirmou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar derrubar a decisão.
“A gente vai continuar lutando e a gente vai ir ao TSE para derrubar essa decisão absolutamente injusta e ilegal. A decisão é ilegal, a decisão é persecutória. (...) Eu estou pagando o preço por ter defendido o que eu defendi. Eu sei o que aconteceu”, declarou.
A suspensão foi determinada nesta segunda-feira (31) pelo próprio Toffoli, que é relator do pedido de registro da chapa do Missão no TSE. Entre as restrições estão a proibição temporária de participação em debates, de publicação de conteúdo sobre a candidatura e de utilização de recursos do Fundo Eleitoral.
O julgamento do registro da chapa estava previsto para esta noite, mas foi retirado de pauta depois que o ministro identificou supostos indícios de irregularidades na declaração dos perfis de Renan e de seu candidato a vice, Aroldo Medina.
O pedido de registro da chapa foi apresentado em 7 de agosto. No dia 19, os candidatos protocolaram petições complementares informando 18 perfis em redes sociais, acrescentando os endereços aos dados apresentados inicialmente.
Segundo a avaliação do relator, a alteração no número de perfis pode indicar descumprimento da legislação eleitoral e das resoluções do TSE. As regras exigem que os candidatos apresentem os endereços eletrônicos utilizados durante a campanha para permitir a comunicação às plataformas e a adoção das medidas previstas para o período eleitoral.
Renan negou ter cometido irregularidades e afirmou que o envio posterior dos perfis ocorreu em razão de uma dificuldade técnica enfrentada pela equipe de campanha.
“Falar que minhas redes foram suspensas porque eu estou abusando do poder econômico por conta de um problema técnico que centenas de outros candidatos, que se há milhares também tiveram durante o registro das candidaturas, chega a ser absurdo”, afirmou.
O candidato também associou a decisão às manifestações realizadas contra Toffoli. Segundo Renan, ele convocou quatro atos no último ano contra o ministro e contra o envolvimento dele e de outras pessoas no caso Banco Master.
“Curiosamente eu convoquei também quatro manifestações nesse último ano contra o senhor Dias Toffoli, contra o envolvimento não apenas dele, mas de todas essas pessoas no escândalo do Banco Master. (...) O nome do Dias Toffoli foi mencionado e cartazes foram feitas todas essas vezes”, apontou.
Renan era coordenador do Movimento Brasil Livre (MBL), grupo que deu origem ao Missão, quando promoveu as manifestações. O movimento acusava Toffoli de atuar de forma parcial no inquérito do Banco Master e de tomar decisões que favoreceriam o controlador da instituição, Daniel Vorcaro. Toffoli negou as acusações.


