Deputado Mario Frias afirma que entregará documentos à PF e nega irregularidades em emendas
Parlamentar defende aplicação de recursos públicos em projetos sociais e critica atuação da CGU em ano eleitoral.
Deputado Mario Frias (PL-SP). Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados O deputado federal Mario Frias (PL-SP) declarou que vai colaborar com as investigações da Polícia Federal e entregar todos os documentos solicitados pela Justiça. O parlamentar, que atua como produtor-executivo do filme Dark Horse, sobre Jair Bolsonaro, foi alvo de mandado de busca e apreensão na residência dele durante a Operação Make Up.
Em vídeo publicado nas redes sociais, Frias sustentou que os recursos de emendas parlamentares não passam pelas mãos dos deputados. Segundo ele, a verba "vai do Tesouro para o órgão executor, que aprova um plano de trabalho previamente e fiscaliza prestação de contas".
O parlamentar afirmou que os repasses investigados serviram para "contemplar um projeto esportivo e outro de letramento digital para tirar crianças da rua, para ensinar crianças, jovens e adolescentes a se desenvolverem intelectualmente". Ele acrescentou que se trata de "emenda pública, registrada, transparente, que qualquer um pode consultar no Portal da Transparência".
O deputado relatou não ter tido acesso aos autos do inquérito e criticou a atuação do órgão fiscalizador. "Se há alguma nota que a CGU quer ver, isso se resolve com documento, não com operation em ano de eleição, cortina de fumaça", declarou Frias.
Ao comentar o período eleitoral, o parlamentar afirmou que espera o arquivamento do caso. "Há um mês de eleição, vou colaborar com tudo que for pedido. Vou entregar cada documento e vou seguir na rua, mantendo a minha agenda, representando São Paulo e apoiando o meu presidente Flávio Bolsonaro", disse o deputado.
A operação que atingiu o deputado foi deflagrada pela Polícia Federal em parceria com a Controladoria-Geral da União para esclarecer a aplicação de verbas no longa-metragem. Por decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão contra 22 pessoas e empresas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal.
A apuração concentra foco em uma emenda de 1 milhão de reais destinada ao Instituto Conhecer Brasil para a execução do projeto Jovem Empreendedor. Auditorias da CGU apontaram indícios de montagem de pesquisa de preços e possível direcionamento na contratação.
A Polícia Federal também apura repasses que somam quase 1,4 milhão de reais direcionados à produtora Go Up Entertainment. O montante inclui 750 mil reais oriundos de empresa ligada ao mesmo núcleo do instituto e 645,4 mil reais transferidos pelo próprio parlamentar em menos de 60 dias.
Os investigadores buscam identificar a origem dos recursos repassados por Frias à produtora. A apuração avalia suspeitas de peculato, falsidade documental, lavagem de dinheiro, organização criminosa e crimes em licitações.


